Política

Barroso diz ter votado pela prisão de Lula "com dor no coração"

Barroso relembra o contexto da Lava-Jato e a necessidade de seguir a jurisprudência ao votar pela condenação de Lula.  |  Valter Campanato/Agência Brasil

Publicado em 29/09/2025, às 08h40 - Atualizado às 08h40   Valter Campanato/Agência Brasil   Daniel Serrano

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, demonstrou arrependimento de ter votado pela prisão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2018, no âmbito da operação Lava-Jato.

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Em entrevista à coluna de Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo, Barroso lembrou que o STF havia decidido, em votação de 7 a 4, pela execução de prisões depois de uma condenação em segunda instância. 

O ministro destacou ainda que, apesar da boa relação que tem com Lula, votou pela condenação do petista por precisar seguir a jurisprudência.

"Em um momento muito anterior [à prisão de Lula], em que a Lava Jato desfrutava de muito prestígio como um enfrentamento legítimo e importante à corrupção, vigorava o entendimento de que só era possível executar decisões [de prisão] depois do trânsito em julgado do processo. Demorava tanto que frequentemente elas prescreviam", disse Barroso.

"Vamos supor que eu tivesse votado no presidente Lula, que eu gostasse do presidente Lula. Eu sou um juiz. Eu deveria mudar a jurisprudência por querer bem ao réu? A vida de um juiz que procura exercer seu ofício com integridade e sem partidarismo exige decisões que são pessoalmente difíceis [...] Apliquei ao presidente Lula, com dor no coração, a jurisprudência que eu tinha ajudado a criar”, acrescentou. 

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