Política
Publicado em 27/06/2026, às 13h58 Cedro Mineração/Reprodução Rebeca Santos
A Polícia Federal concluiu duas investigações sobre corrupção no setor de mineração em Minas Gerais e na Agência Nacional de Mineração (ANM). No total, foram indiciadas mais de 40 pessoas, entre empresários, servidores públicos e operadores ligados a grupos de mineração.
As duas operações são a Rejeito, com 34 indiciados, e a Parcours, com 16 indiciados. A operação Rejeito investigou projetos minerários em Minas Gerais. Já a Parcours apurou irregularidades na exploração da Mina Granja Corumi, na Serra do Curral, em Belo Horizonte.
Entre os indiciados estão o atual presidente da ANM, Mauro Henrique Moreira Sousa, alvo da operação Parcours, e o diretor da agência, Caio Trivelatto, investigado na Rejeito. Os dois foram indiciados por suspeita de corrupção.
Também foram indiciados os empresários Alan Cavalcante, cujas empresas foram alvo das duas operações, e Lucas Kallas, ex-sócio de Daniel Vorcaro e dono da Cedro, investigado na Parcours.
Segundo o Uol, no caso de Kallas, o indiciamento está ligado à exploração irregular na Serra do Curral. Segundo a PF, a autorização era apenas para um plano de recuperação da mina, mas a partir de 2013 ele e outros empresários começaram a explorar o local comercialmente, retirando milhares de toneladas de minerais.
A PF afirma que Kallas geriu essa exploração entre 2014 e 2018. Ele foi indiciado por crimes ambientais, lavagem ou ocultação de bens, corrupção ativa, tráfico de influência e pagamento de vantagem indevida a agente público.
“A gestão de Lucas é associada à cobrança de metas de produção, ao funcionamento da mina como empreendimento produtivo regular e à inflexão da especificamente do PRAD para exploração econômica de minérios, inclusive in situ”, diz a PF.
De acordo com a PF, os diálogos de Kallas com sócios e funcionários “mostram domínio operacional, planejamento de exploração sem limite, estratégia de ocultação da lavra in situ perante supervisão, tratativas com órgãos públicos e controle de mercado/clientes.”
A PF ainda aponta que Kallas custeou a compra de um título de sócio torcedor do Cruzeiro para um agente público do setor de mineração de Minas Gerais.
“A IPJ 088/2026, por sua vez, agrega possíveis compromissos de corrupção ou tráfico de influência envolvendo Lucas Kallas e Wagner Salles, agente público que assinou o TAC da Empabra em 2015 e que, segundo os dados telemáticos, teria sido beneficiário de custeio de cadastro de sócio torcedor no valor de R$ 12.000,00”, afirma a PF.
Sobre o presidente da ANM, Mauro Sousa, a PF destaca sua relação com o empresário Luis Fernando Franceschini, que atuou com Kallas na Serra do Curral e continuou operando na área após 2018.
Conversas em celulares mostram, segundo a PF, que Sousa agiu em favor dos interesses de Franceschini.
“O teor das conversas revela relação incompatível com a impessoalidade esperada entre o dirigente máximo de agência reguladora e empresário do setor regulado, com tratativas pessoais, encontros em Brasília/DF e acompanhamento privilegiado de temas internos da ANM”, diz a PF.
Kallas, Franceschini e Sousa foram indiciados na operação Parcours.
As duas investigações têm ligação com o empresário Alan Cavalcante, indiciado nas operações Rejeito e Parcours. Na Parcours, ele aparece na fase final da exploração da mina na Serra do Curral, depois da saída de Lucas Kallas.
A PF descreve Cavalcante como responsável pelo “comando central” do grupo investigado na Rejeito.
“As mensagens, documentos internos, organogramas, atas, memorandos e fluxos financeiros atribuem-lhe papel de liderança na criação e uso de sociedades interpostas, holdings, contas de passagem e estruturas paralelas de governança, inclusive para dissociar ativos econômicos de passivos ambientais e ocultar beneficiários finais”, afirma a PF.
Na operação Rejeito, também foi indiciado o diretor da ANM Caio Trivelatto. Segundo a PF, ele atuou para defender interesses de empresas ligadas a Alan Cavalcante, especialmente a Aiga Mineração.
“Os elementos indicam comunicação com membros do grupo e influência sobre atos normativos ou decisórios destinados a favorecer a tese de dominialidade e interesses econômicos da AIGA em conflito minerário”, afirma a PF.
De acordo com a PF, Trivelatto “atuou de forma deliberada e coordenada com os demais membros da organização criminosa liderada por Alan Nascimento”.
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