Política
Publicado em 26/10/2026, às 10h17 Ricardo Stuckert/PR Eduardo Costa
O professor da Universidade Columbia e cientista político, Cesar Zucco, disse momentos depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que errou em não passar o bastão e que o PT, neste momento, não tem um nome para sucedê-lo a partir de 2030. A entrevista foi concedida ao jornal Folha de S. Paulo.
De acordo com Zucco, que é natural de Santa Catarina, a forte oposição que Lula encontrará no Congresso e necessidade do Partido dos Trabalhadores (PT) encontrar um substituto para ele, pode fazer com que o petista passe o bastão para o vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), para que a legenda possa se reorganizar internamente.
Esse é um problema paradoxal, porque o PT tem praticamente todos os atributos de um partido bem institucionalizado. Menos um, que é a troca geracional. Tem pouca coisa comparável em nível internacional e nada no Brasil. E, ainda assim, o partido teve esse problema grave de achar uma troca de guarda", disse.
"Não só o Lula é o candidato perene do partido desde a fundação, mas, mesmo no nível abaixo dele, das lideranças mais seniores do partido, teve muito pouca renovação ao longo desse tempo todo. O maior fracasso político do Lula ao longo da carreira dele, que é uma carreira de muitos sucessos, sem dúvida, é não ter passado o bastão, não ter fomentado outras lideranças, encontrado um sucessor para alguém que tem 80 anos. O grande desafio do PT é que a próxima eleição não é Lula, não tem como ser, é fisicamente impossível", afirmou.
O cientista político também disse acreditar que Lula não chegue ao final do seu mandato.
Mesmo Lula ganhando, tenho a impressão de que não terminará o mandato. Desconfio fortemente de que exista um plano de transição. O governo vai estar numa situação muito debilitada no Congresso, e posso imaginar algum tipo de acordo passando essa Presidência ao [Geraldo] Alckmin ou alguém desse tipo que não é exatamente do PT. Isso vai dar uma desculpa para o PT não ter que ter um candidato na próxima eleição. Se o Alckmin for presidente, por exemplo, seria razoável imaginar que ele poderia concorrer à reeleição em 2030. O que daria um pouco mais de tempo para o PT se organizar e buscar outros nomes para resolver esse problema", disse.
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