Política
Publicado em 23/10/2026, às 11h00 Caso de racismo na UFRR envolve deputado e advogado - Reprodução/Instagram Samuel de Jesus
O advogado Yano Rodrigues da Silva, de 25 anos, acusou o deputado estadual Marcinho Belota (PL), de Roraima, de racismo após um desentendimento ocorrido na Universidade Federal de Roraima (UFRR), em Boa Vista.
O caso veio à tona após a divulgação de um vídeo nas redes sociais do parlamentar que, segundo o advogado, teria sido publicado para ridicularizá-lo por causa de seu cabelo.
Segundo informações do G1, o advogado, que é negro, registrou um boletim de ocorrência contra Belota. Ele alega que, no vídeo, foi utilizado um efeito que destacava cabelos grandes e volumosos, acompanhado de uma voz em tom de deboche, em referência ao seu cabelo black power.
O deputado poderia muito bem ter discutido comigo em relação à minha posição política, em relação aos questionamentos que eu fiz a ele. Ele preferiu fazer a utilização de um recurso racista que nós chamamos de racismo recreativo, que é quando você utiliza de características das pessoas negras, seja dos fenótipos, do comportamento, da fala, para você descaracterizar a humanidade daquela pessoa", declarou o advogado.
O advogado afirma que a publicação atingiu sua dignidade e teve conotação racista. Ele ainda afirmou que, após o episódio, foi atacado nas redes sociais. Uma pessoa disse:
Vontade de pôr fogo no cabelo desse vagabundo!!!!".
A confusão começou na Universidade Federal de Roraima nos dias 16 e 17 de outubro. Marcinho Belota e a ex-candidata a deputada federal Athally Albuquerque (Republicanos) rasgaram panfletos com críticas a Flávio no dia 16. Os dois alegaram que o material divulgava informações falsas e que a propaganda era irregular.
🚨DEPUTADO ESTADUAL DE EXTREMA-DIREITA, junto de uma gangue de influencers, invade CA do Curso de Direito da UFRR.🚨 https://t.co/41uAvPRSC4
— vin!cius 🇵🇸 (@Dois_Melo) October 17, 2026
No dia seguinte, outro grupo entrou em espaços da universidade, interrompeu aulas e hostilizou servidores. Houve também relatos de que os envolvidos estariam armados, situação que passou a integrar a apuração.
O Ministério Público Eleitoral requisitou à Polícia Federal a abertura de investigação sobre os episódios registrados na universidade. Entre as medidas solicitadas estão a coleta de imagens das câmeras de segurança e os depoimentos de testemunhas.
A autoridade investiga vários crimes, incluindo constrangimento ilegal, dano qualificado e perturbação do funcionamento de serviço público. A eventual responsabilidade criminal dos envolvidos dependerá da análise da perícia.
Marcinho Belota e Athally Albuquerque negaram ter invadido as dependências da instituição e disseram que receberam orientação para verificar pessoalmente as denúncias relacionadas aos panfletos.
O caso depende da análise das autoridades, que deverão avaliar o conteúdo publicado, o contexto da discussão e os demais elementos apresentados. Vale salientar que as denúncias de racismo apresentadas pelo advogado não equivalem a uma condenação.
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