Política

Com mais de 740 mil pedidos travados, governo Lula suspendeu benefício para idosos por quase seis meses em 2025

Suspensão do Benefício de Prestação Continuada impacta milhões de pessoas com deficiência e idosos por quase seis meses  |  Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Publicado em 15/04/2026, às 08h55   Rafa Neddermeyer/Agência Brasil   Redação Bnews

A concessão de novos pedidos do Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, foi suspensa pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por quase seis meses. A decisão contribuiu para a fila de espera recorde, que alcançou os 3 milhões de requerimentos. 

De acordo com a Folha, a interrupção das análises ocorreu para requerimentos feitos entre o fim de junho e meados de dezembro de 2025, devido a ajustes no cálculo da renda familiar — um critério importante na verificação do direito ao benefício e que foi alvo de mudanças legais no fim de 2024.

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A medida levou ao represamento de 740 mil processos até novembro, segundo dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Nesta segunda-feira (13), o presidente do órgão, Gilberto Waller Júnior, foi demitido diante da insatisfação do governo com a gestão da fila.

No período da suspensão do BPC, os cidadãos até passavam por perícia médica ou avaliação social quando as etapas eram necessárias, mas ainda ficavam sem o benefício porque o sistema de concessão estava desligado. Enquanto isso, parte da despesa ficou represada, o que gerou uma desaceleração momentânea na alta desses gastos.

No entanto, não só os números ficaram subestimados, mas também a conta para o futuro ficou maior, com pagamento de atrasados (retroativos à data dos requerimentos) e correção monetária.

Segundo o INSS, o represamento gerou uma fatura de R$ 2,1 bilhões em atrasados e correção monetária em quatro meses, dos quais R$ 287,6 milhões foram pagos em dezembro de 2025 e R$ 1,84 bilhão foi quitado de janeiro a março de 2026.

O órgão, contudo, disse que "não participou da análise" do pedido para que os pagamentos fossem feitos até janeiro de 2026. De acordo com o INSS, a demanda foi encaminhada à Dataprev, "que definiu o prazo por ser a responsável pelas adaptações no sistema".

A Dataprev, por sua vez, disse que a implantação e o calendário do projeto foram acordados com o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e o INSS. Nenhum dos órgãos consultados detalhou o cronograma nem justificou a duração dos ajustes.

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