Política

Confusão entre Eliete e Tinoco vai parar no Conselho de Ética da Câmara e pode render cassação de mandato; entenda

O Conselho de Ética da Câmara Municipal de Salvador é acionado após denúncia de violência política de gênero e raça contra vereadora  |  Devid Santana / BNews

Publicado em 29/08/2025, às 06h00   Devid Santana / BNews   Matheus Simoni

Uma troca de acusações e uma denúncia enviada ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) agitaram os bastidores da Câmara Municipal de Salvador (CMS) na última semana. A briga maior aconteceu entre os vereadores Eliete Paraguassu (PSOL) e Cláudio Tinoco (União Brasil).

Documentos obtidos pelo BNews mostram que a troca de farpas foi além do plenário da Câmara e chegou até o recém-instalado Conselho de Ética da casa legislativa. O caso começou após um coletivo ativista socioambiental protocolar um requerimento junto ao MP-BA para que fosse instaurado uma investigação por atos de violência política de gênero e raça que teriam sido praticados contra a vereadora no plenário da casa.

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A denúncia cita o vereador Cláudio Tinoco e diz que ele proferiu "ataques verbais agressivos, com conotação racista e misógina", apontando que ele teria se dirigido a Eliete de forma hostil e discriminatória.

O parlamentar teria dito que "o lugar dela não era ali" em um momento de discussão acalorada durante a sessão ocorrida no dia 22 de maio deste ano, quando foi votado, no Centro de Cultura da Câmara Municipal de Salvador, o PLE nº 174/25, que tratava do reajuste dos servidores municipais.

O dia ficou marcado por uma invasão de manifestantes e representantes dos sindicatos dos Professores e dos Servidores do Município, obrigando que a votação do texto ocorreu fora do plenário por motivos de segurança. A suposta fala racista teria ocorrido em uma sala reservada dentro do local, fora do plenário e sem transmissão da TV Câmara. 

Tal manifestação não se configurou como um simples conflito político, mas como uma expressão do racismo estrutural presente no ambiente político brasileiro, associado a um viés misógino e elitista que historicamente excluiu e silencia mulheres negras e indígenas, sobretudo aquelas originárias de comunidades tradicionais como as quilombolas", diz a denúncia do coletivo. 

O requerimento foi enviado ao MP-BA e cobra, além da apuração do caso, a cassação do mandato de Cláudio Tinoco, perda de direitos políticos e apuração de crimes de injúria racial, ameaça e reparação e danos morais. Diante da denúncia, o órgão estadual oficiou o Conselho de Ética de CMS para que fossem tomadas providências.

O vereador protocolou na última semana a defesa e negou os fatos apontados pelo coletivo. No ofício, endereçado ao corregedor e presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, Alexandre Aleluia (PL), o edil destaca a invasão ocorrida no plenário e atos de violência cometidos por sindicalistas contra os vereadores.

Tinoco relata que eles precisaram se retirar e ir para uma sala improvisada da presidência. Neste momento, ele comenta que pediu que os membros da bancada de oposição atuassem para por fim ao conflito.

Neste momento, a vereadora Eliete Paraguassu se dirigiu alterada ao vereador Claudio Tinoco, alegando que ela não tinha nada a ver com a invasão e o lugar dela seria ali, não lá fora. Daí, mais uma vez o vereador Claudio Tinoco disse que lá fora no auditório onde se realizava a sessão estavam correligionários da vereadora. Como o deputado estadual Hilton Coelho e o ex-candidato a prefeito Kleber Rosa, que lideraram o grupo de invasores, conforme pode ser comprovado nas fotos e vídeos anexos, ambos do mesmo partido (PSOL) da vereadora e que isso ensejaria uma relação direta para que ela pudesse ser uma mediadora no diálogo com os invasores que provocavam naquele momento o terror que as pessoas sofriam e podem testemunhar", apontou a defesa de Tinoco. 

Em resposta à denúncia, o parlamentar anexou uma declaração de outros 29 vereadores afirmando que a suposta fala racista não teria acontecido. Tinoco contra-atacou dizendo que vem sendo alvo de "falsa imputação de conduta, manifestamente ofensivas e que representam a prática de delitos".

O vereador apresentou requerimento para que seja instaurado um procedimento para apurar a denúncia e também a conduta da vereadora Eliete Paraguassu com base no código de ética da CMS. Ele cita que a colega parlamentar teria infringido duas alíneas do conjunto de normas:

Eliete pode ser punida com penas que vão de advertência, suspensão temporária do mandato ou cassação. 

O que dizem os envolvidos

Questionada pelo BNews, a vereadora Eliete Paraguassú afirmou que, até o momento, não recebeu nenhuma notificação referente a esse processo. Já Tinoco destacou que existe uma notificação da 1ª Promotoria de Justiça dos Direitos Humanos do Ministério Público do Estado da Bahia.

De acordo com o edil, "depois de receber a notificação do Corregedor, foi apresentada ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar uma resposta com 76 páginas de documentos, incluindo vídeos e declarações de 29 vereadores e vereadoras que estavam presentes na sessão e confirmaram a inexistência de qualquer fala racista e/ou misógina da minha parte".

Inclusive, a própria ata da sessão, lida e aprovada pela vereadora denunciante, não registra qualquer ofensa. No episódio em questão, ocorrido em 22 de maio deste ano, durante a invasão do plenário da Câmara, com a participação de políticos do mesmo partido da vereadora Eliete Paraguassu, mantive postura pacífica e conciliatória, buscando preservar a integridade dos colegas e garantir o funcionamento da Câmara Municipal, conforme amplamente registrado pelos veículos de imprensa", afirmou o vereador. 

Classificação Indicativa: Livre


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