Política
Publicado em 20/10/2026, às 06h00 Divulgação - Arquivo / BNEWS Anderson Ramos
Um dos principais doadores da campanha do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) é um velho conhecido da Justiça baiana. O empresário Nelson José Vigolo repassou R$ 1,1 milhão para o senador no dia 13 de outubro por meio de duas transferências, uma de R$ 700 mil e outra de R$ 400 mil.
Ele é o segundo maior doador individual do presidenciável do PL, ficando atrás apenas de Eloi Vitorio Marchett, que aportou R$ 2 milhões na campanha do filho 01 de Jair Bolsonaro.
Ao todo Flávio Bolsonaro já recebeu um total de R$ 95,5 milhões para sua campanha, sendo que a maior parte (R$ 67,5 milhões) vieram do diretório nacional do Partido Liberal.
Nelson José Vigolo é presidente do Grupo Bom Jesus Agropecuária, empresa de cultivo de soja, milho, algodão, sementes e pecuária, além de trading e logística, com forte presença em estados como Mato Grosso, Bahia e Piauí.
Em 2021, Vigolo foi denunciado pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) no âmbito da Operação Faroeste, deflagrada pela Polícia Federal. Segundo o MP, ele integrava um grupo criminoso envolvido em crimes de lavagem de dinheiro e corrupção em esquema criado para blindar grupo econômico que disputava propriedades de terras na região oeste da Bahia.
Segundo a denúncia, foi ajustado pagamento de R$ 1 milhão ao juiz Sérgio Humberto para que ele se declarasse suspeito nos processos de interesse do Grupo Bom Jesus Agropecuária, com o objetivo de o juiz não proferir novas decisões desfavoráveis. Na época, o MP requereu a prisão preventiva do juiz, além da perda de função pública e decretação de perdimento de produtos dos crimes no valor mínimo de R$ 1,5 milhão.
A denúncia afirma que o saque foi realizado pelo advogado Júlio César da conta bancária de Nelson Vigolo e o dinheiro depositado, de maneira fracionada, na conta de um “laranja”. Só depois o valor teria sido transferido para parentes ou empresas vinculadas aos parentes do magistrado.
Em 2024, Nelson Vigolo fez um acordo de delação premiadaa respeito do esquema de venda de sentenças no âmbito da Operação Faroeste, no Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), que resultou na prisão e afastamento de magistrados e familiares.
No acordo de delação, o empresário se comprometeu a devolver R$ 20 milhões referentes à compra de sentenças que é investigado.
O STJ marcou para esta quarta-feira (21), o julgamento decorrente da Operação Faroeste que envolve diretamente o núcleo central das denúncias sobre a venda de sentenças judiciais na Bahia. A expectativa no ambiente da magistratura é de que ocorram as primeiras condenações. A informação é do Estadão.
A Ação Penal 985/DF tem oito réus, entre eles a desembargadora e ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) Maria do Socorro Barreto Santiago, o juiz Sérgio Humberto Sampaio e Adaílton Maturino dos Santos, conhecido como “falso cônsul”. O relator do caso no STJ é o ministro Og Fernandes.