Política

Direto de Brasília: Erika Kokay comemora indiciamento de Bolsonaro no inquérito das joias

Relatório final da PF foi divulgado nesta quinta (4)  |  Mário Agra / Câmara dos Deputados

Publicado em 05/07/2024, às 18h36   Mário Agra / Câmara dos Deputados   Lara Curcino, direto de Brasília

A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) comemorou, em conversa com o BNews, o indiciamento na quinta (4) do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outras 11 pessoas no inquérito da Polícia Federal (PF) que apura suposta apropriação indevida, por parte dele e de ex-assessores, de joias milionárias dadas de presente quando ele era chefe do Executivo.

Após sessão solene nesta sexta (5), Erika deixou às pressas a Câmara dos Deputados para um compromisso. No caminho da saída, ao ser questionada sobre o indiciamento, a parlamentar não se furtou de demonstrar contentamento.

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"Não posso me alongar no assunto agora, por causa do horário, mas muito bom! Muito bom!", afirmou ela, com um sorriso e os braços para cima, de punho fechado, em sinal de comemoração.

Bolsonaro foi indiciado por peculato (se apropriar de bens públicos), lavagem de dinheiro e associação criminosa. Ele já negou as irregularidades em outras ocasiões, mas o advogado dele, Paulo Cunha Bueno, já afirmou que não vai se manifestar neste momento, por ainda não ter tido acesso ao documento da PF.

A polícia vai encaminhar agora o relatório ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), para que ele envie o documento à Procuradoria-Geral da República (PGR).

A PGR vai analisar o relatório e decidir se há elementos suficientes para denunciar os 12 indiciados. Caso sim, o STF vai julgar se torna os acusados réus, se os processos serão arquivados ou encaminhados à primeira instância.

Inquérito das joias

A investigação da PF aponta que Bolsonaro ganhou joias e presentes de autoridades internacionais enquanto era presidente e tentou vendê-las nos Estados Unidos, por intermediários, em junho de 2022.

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Entre as joias estava um kit entregue a ele em uma viagem oficial à Arábia Saudita, em outubro de 2019, e que continha um relógio da marca Rolex de ouro branca, um anel, abotoaduras e um rosário islâmico.

A PF afirma que o relógio foi levado aos EUA por uma comitiva do então presidente, em um avião da Força Aérea Brasileira, e lá foi vendido por cerca de R$ 300 mil à loja Precision Watches, na Pensilvânia. Depois de a situação veio a público, em 2023, aliados de Bolsonaro fizeram uma operação para recomprar o produto e entregá-lo ao governo novamente.

Joias da marca de luxo Chopard, que foram trazidas ao Brasil com uma comitiva do governo em 2021, também foram negociadas nos EUA.

Foi revelado pela PF que um colar de diamantes da Chopard - que integrava o kit - ficou retida na Receita Federal do Aeroporto de Guarulhos e o então ajudante de ordens de Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid, tentou recuperá-las com o Fisco em 29 de dezembro de 2022, quando o então presidente já havia perdido a eleição e embarcaria para os EUA no dia seguinte.

Uma outra parte que não ficou na Receita também foi levada aos EUA e chegou a ser anunciada por uma casa de leilões em Nova York, mas não chegou a ser arrematada.

Outros indiciados

Além de Bolsonaro, foram indiciadas outras 11 pessoas apontadas pela PF como envolvidas nos casos. Confira:

Apesar do indiciamento, a PF não pediu a prisão preventiva ou temporária de nenhuma das 12 pessoas no relatório final.

Classificação Indicativa: Livre


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