Política
Publicado em 03/09/2026, às 10h52 Reprodução Redação BNews
Em uma troca de mensagens com o empresário Flávio Carneiro, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master, admitiu, em abril de 2024, que bancou "todos os voos" utilizados pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). A informação foi divulgada pelo ICL Notícias.
"Esse Nikolas, eu banquei todos os voos dele", escreveu Vorcaro a Carneiro. Ainda nas mensagens, ele ameaçou expor o deputado. "Vouch [sic] mandar soltsr isso", disse, em um trecho que em que parece ter errado a digitação de "vou mandar soltar isso".
Durante o segundo turno das eleições de 2022, Nikolas Ferreira utilizou um avião pertencente a Daniel Vorcaro para participar de atividades de campanha em apoio a Jair Bolsonaro. As investigações apontam que, ao longo de cerca de dez dias, o deputado passou por nove estados e pelo Distrito Federal, acompanhado do pastor Guilherme Batista, da Igreja Lagoinha, liderada por André Valadão.
O uso do avião foi revelado em março pela jornalista Malu Gaspar, de O Globo. Na ocasião, Nikolas afirmou que desconhecia a identidade do proprietário do avião e que havia aceitado o convite para participar da agenda de campanha. Segundo ele, somente depois soube que a aeronave pertencia ao dono do Master.
O ICL Notícias também divulgou que, em março de 2025, Nikolas Ferreira pediu a Vorcaro ajuda para tratar de um ativo minerário ligado a seu advogado e ex-assessor, Thiago Rodrigues de Faria.
Em áudio, o deputado apresentou o advogado ao banqueiro e afirmou que o negócio já havia passado por uma análise técnica. Na sequência, o parlamentar encaminhou o contato de Faria para que os dois pudessem conversar sobre o assunto.
Dias depois, Vorcaro respondeu a Nikolas que cuidaria da questão. Não há, no entanto, informações que confirmem se o banqueiro chegou a atuar efetivamente na negociação.
Meses após a conversa, o nome de Thiago Faria apareceu em uma investigação da Polícia Federal sobre um esquema de extração ilegal de minério de ferro em Minas Gerais. Segundo as investigações, ele tinha um contrato com uma empresa envolvida no caso e poderia receber uma comissão caso uma negociação relacionada à exploração de uma área de mineração fosse concretizada.
Thiago Faria negou qualquer relação com irregularidades investigadas pela PF. Ele afirmou que atua no setor de mineração e que apenas apresentou um ativo minerário a possíveis interessados.