Política

Enteado, nora e compadre do senador: Veja quem são os alvos da operação da PF que mira Jaques Wagner

Mandados de busca e apreensão foram autorizados pelo STF, visando identificar os envolvidos em um esquema de corrupção envolvendo o Banco Master  |  Arquivo / Agência Senado

Publicado em 18/06/2026, às 09h49 - Atualizado às 10h00   Arquivo / Agência Senado   Adelia Felix e Henrique Brinco

A relação entre o antigo Banco Master, comandado por Daniel Vorcaro, e empresas ligadas ao núcleo familiar do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, tornou-se o epicentro de uma sofisticada investigação da Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Compliance Zero. A nona fase da ação foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (18).

No centro das suspeitas iniciais estão contratos que somam pelo menos R$ 11 milhões destinados à BK Financeira (mencionada nos autos como BN Financeira Ltda).

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A empresa tem em sua estrutura societária Bonnie Toaldo Bonilha, nora do parlamentar e casada com o secretário de Meio Ambiente da Bahia, Eduardo Sodré.

Conforme as investigações avançaram, a PF identificou que a BN Financeira operava com capital social reduzido e aparente baixa capacidade operacional, levantando suspeitas de que os repasses, na verdade, ocultavam o destino final dos valores.

Segundo a PF, a proximidade entre o banco e o clã de Wagner se estreitou a partir de 2022, justamente após a sanção da Lei nº 14.431/2022, que elevou a margem do crédito consignado para até 45%, pauta na qual o senador teve atuação parlamentar direta, incluindo a apresentação de emendas.

Para os investigadores, há indícios de uma "relação ilícita" na qual o senador atuaria em favor dos interesses da instituição financeira em troca de vantagens econômicas dissimuladas.

Os alvos
O cenário levou o ministro relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, a autorizar parcialmente uma série de mandados de busca e apreensão na Petição 16.201/DF, obtida pelo BNEWS.

- Jaques Wagner (Alvo Principal): Teve buscas deferidas em seus endereços pessoais, residenciais e empresariais. A PF aponta o senador como o "beneficiário central" de vantagens que incluem desde o uso de jatinhos privados e ingressos de luxo no exterior até a engenharia financeira para a compra de um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador (no edifício Poème Horto) por meio de laranjas. O STF, contudo, proibiu buscas dentro de seu gabinete no Senado Federal.

- Augusto Ferreira Lima: Gestor ligado ao Banco Master e apontado como o principal elo e operador das vantagens destinadas ao senador.

- Eduardo Sodré Martins ("Dudu"): O enteado de Wagner e secretário de Estado teve as buscas autorizadas. Mensagens interceptadas revelam Eduardo cobrando ativamente Augusto Lima sobre "boletos e notas fiscais altas" pendentes da BN Financeira.

- Guilherme Henrique Sodré Martins ("Guiga"): Pai de Eduardo, apontado como o articulador político do esquema junto ao gabinete do senador.

- Valério Marega Júnior ("Valério Fundos"): Operador financeiro ligado a estruturas de fundos do Banco Master, suspeito de operacionalizar a compra de um apartamento.

- David Lopes Monteiro: Operador vinculado ao núcleo empresarial e jurídico-financeiro do banco, atuando na reorganização da propriedade do imóvel e intermediação de pagamentos.

- Luiz Antonio Lombardi: Diretor da empresa Epítome S.A., suspeito de atuar como pessoa interposta (laranja) na compra formal do apartamento para ocultar o beneficiário real.

- Andréa Lima Novaes: Diretora da PKL One Participações S.A. e prima de Augusto Ferreira Lima, suspeita de gerir formalmente estruturas sob controle de terceiros.

Empresas sob varredura
O STF também autorizou buscas nas sedes da BN Financeira Ltda., na PKL One Participações (que transferiu R$ 3,5 milhões para a empresa da família de Wagner) e na BN Representações, firma de Bonnie que, segundo registros da Receita Federal, mudou abruptamente de nome (antiga Vamos Florir) e de ramo de atuação em meio ao cerco investigativo.

Os poupados
Embora figure como proprietária das empresas que receberam os repasses milionários, Bonnie Toaldo Bonilha teve o pedido de busca e apreensão indeferido pelo ministro André Mendonça.

O magistrado considerou que, no atual estágio das investigações, não há elementos que comprovem que ela atuou com o grau de centralidade necessário para sofrer a medida invasiva. O mesmo entendimento foi aplicado a Patrich Toaldo Bonilha, que havia deixado a sociedade recentemente.

Classificação Indicativa: Livre


TagsJaques WagnerOperação Compliance Zero