Política
Publicado em 03/09/2026, às 18h15 Ratinho e Erika vêm se desentendendo publicamente desde o inicio do ano, após falas preconceituosas do apresentador - Reprodução/Redes Sociais Elisa Martins
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) denunciou Ratinho, pela segunda vez, ao Ministério Público por transfobia. A atitude foi tomada logo após o apresentador se envolver em nova polêmica ao dizer no podcast Papagaio Falante que a deputada "não é mulher".
Durante o episódio do podcast, Ratinho novamente questionou sobre a legitimidade da parlamentar para atuar na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Ele chegou a referir-se à deputada com pronomes masculinos e utilizou o nome que ela tinha antes da transição de gênero.
"Eu continuo com a mesma opinião. A comissão da mulher tem que ser presidida por uma mulher que tenha útero. Só existe dois gêneros: masculino e feminino. Não queira inventar uma outra história. Trans é um ser humano que nasceu com coisas de mulher, mas não é mulher. Fazer o quê?", declarou.
De acordo com informações da Folha de S.Paulo, Erika pede que o apresentador seja investigado por transfobia e injúria transfóbica. Até então, ele não comentou sobre a situação.
A nova representação afirma que os ataques não fazem parte de um ato isolado. Ratinho já esteve em situação semelhante anteriormente quando foi alvo de outra medida judicial, depois de declarações transfóbicas contra a mesma deputada. Isso resultou na concessão de direito de resposta.
Segundo Erika, o apresentador negou expressamente sua identidade de gênero. Para embasar as afirmações, ela destaca o fato de que a Justiça já reconheceu, em outro processo, que o uso de seu nome morto e o tratamento que não está de acordo com sua identidade podem ser considerados como atos transfóbicos.
A parlamentar também argumenta que a liberdade de expressão não protege falas discriminatórias e pede que o Ministério Público também investigue o apresentador por crimes relacionados à violência política de gênero. Para ela, a repetição da situação deixa claro que é necessário o desenvolvimento de um tipo de responsabilização que evite a normalização da violência contra pessoas trans e travestis.
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O primeiro processo teve início com comentários preconceituosos feitos pelo apresentador em março deste ano. Ao analisar o caso, a Justiça paulista entendeu que as manifestações ultrapassaram os limites da crítica política e atacaram a identidade de gênero da Erika.
A decisão tomada é que a resposta da parlamentar seja exibida no mesmo programa e horário em que as declarações que deram origem à ação foram feitas.
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