Política
Publicado em 11/08/2026, às 07h49 EPA Matheus Simoni
Um tribunal da Síria condenou à revelia, nesta terça-feira (11), o ex-presidente deposto do país Bashar al-Assad e seu irmão mais novo à pena de morte por crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos durante 14 anos de guerra civil no país. Durante todo esse tempo, foram cerca de 500 mil mortos e milhões de pessoas deslocadas para outras regiões.
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A condenação foi imposta pelo Quarto Tribunal Penal de Damasco, que considerou al-Assad culpado de ter ordenado o assassinato de civis, incluindo crianças, bem como de tortura e detenção ilegal.
A decisão é a primeira condenação judicial conhecida contra Assad desde que ele deixou o poder. Ao ler a sentença, o juiz afirmou que o ex-líder foi condenado por "homicídio premeditado e intencional de mais de uma pessoa e de crianças, tortura, prisão arbitrária e crimes contra a humanidade".
Também foram condenados à morte no mesmo processo o irmão mais novo de al-Assad, Maher, e o primo materno Atef Najib, que esteve presente no julgamento. As denúncias levaram em conta um material probatório que incluía 55 mil imagens de cerca de 11 mil detidos que morreram devido a tortura, fome ou execução em instalações do governo sírio, contrabandeadas por um fotógrafo da polícia militar conhecido pelo nome de código César.
Assad foi derrubado em dezembro de 2024, após uma ofensiva rebelde no país e desdobramentos da chamada "primavera árabe", e encerrou décadas de domínio da família do ex-ditador sobre a Síria.
Ainda não se sabe, no entanto, se a pena de morte contra Assad e seus familiares será cumprida. O ex-ditador e seu irmão Maher fugiram para a Rússia enquanto insurgentes entravam na capital Damasco, em dezembro de 2024.
O novo presidente da Síria, Ahmed al-Sharaa, já havia pedido a extradição de Assad ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, num encontro entre os dois líderes em outubro de 2025. No entanto, não houve avanço na negociação. A expectativa é de que Putin mantenha sua posição, já que o governo russo é aliado do ex-ditador e vem o apoiando desde seu período no governo sírio.
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