Política
Publicado em 14/10/2024, às 07h15 Marcelo Camargo / Agência Brasil Redação
Filósofo e professor da USP (Universidade de São Paulo), Vladimir Safatle afirmou que a esquerda brasileira perdeu sua relevância, especialmente nas periferias, pois não oferece soluções concretas.
Safatle, filiado ao PSOL e suplente de deputado federal pelo partido, disse ao Uol que o primeiro turno de 2024 foi um "alerta vermelho" para o PT. Safatle alerta que, se nada mudar, a extrema direita deve voltar ao poder em 2026.
“Essa eleição foi um alerta vermelho mais forte para o PT. Se as coisas continuarem como estão, a extrema direita volta ao poder em 2026, com certeza. A extrema-direita tem uma lista de candidatos que têm possibilidades eleitorais. Essa eleição mostrou que o governo federal ainda não tem pautas robustas para apresentar que poderiam mostrar uma mudança estrutural na vida das pessoas”, disse.
Ele também critica a falta de renovação no PT, argumentando que a volta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não trouxe novas ideias e apenas reforçou a estagnação do partido, que se afastou das demandas populares.
“Quando o Lula volta, não tem mais pauta. Não tem aquelas ideias-diretrizes, como o Bolsa Família, o Ciência Sem Fronteiras. O PT virou um partido populista de esquerda. Ele coordena uma série de equivalências entre demandas contraditórias. O resultado é uma esquizofrenia. Há uma paralisia porque uma demanda vai anulando a outra, não se consegue avançar”, acrescentou.
Safatle afirmou também que, de certa forma, Lula absorveu todas as outras lideranças do PT para se preservar, o que impediu o surgimento de novas lideranças autônomas dentro do partido e resultou em falta de renovação.
“O que acontece é que, de certa maneira, o Lula fagocitou todas as outras lideranças para se preservar. Nenhuma outra liderança ganhou autonomia dentro do PT e não teve renovação.O PT deve tentar -- ou Lula deve tentar -- o Fernando Haddad. Isso mostra um envelhecimento muito brutal dos partidos de esquerda”, acrescentou.
Safatle acrescentou também que o governo necessita de uma oposição à esquerda e que, em sua visão, o PSOL poderia ter desempenhado esse papel. No entanto, o fato de o partido ocupar ministérios no governo, como no caso da ministra dos Povos Indígenas, compromete a autonomia do PSOL como oposição.
“Teria sido bom para o PSOL que fosse uma oposição à esquerda no governo Lula . Essa era a nossa função. O governo Lula precisa de uma oposição à esquerda. Não existe oposição quando você integra a base do governo. Se há uma radicalização, a primeira coisa que o governo fala é 'quer perder o seu ministério? A função do PSOL não foi sucessora do PT, foi um aliado incômodo. O PSOL deveria estar ocupando uma posição de oposição de esquerda”, avaliou.
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