Política
Publicado em 04/09/2026, às 08h18 Gustavo Moreno/STF Bernardo Rego
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, usou as redes sociais para fazer uma reflexão em torno da crise instaurada na Corte após a divulgação de um relatório da Polícia Federal que mostrou a ligação de alguns ministros com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Entre os citados estão André Mendonça e Alexandre de Moraes, este último por ter participado de um contrato com o escritório de advocacia da sua esposa no valor de R$ 130 milhões. O presidente do STF, Edson Fachin, determinou que André Mendonça e Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, se manifestem em até cinco dias úteis sobre os acontecimentos dos últimos dias.
Sem citar nominalmente os nomes dos ministros, Dino disse que já viveu algumas crises e relembrou a pandemida da Covid. O ministro afirmou que para sair desses momentos delicados depende de alguns elementos, dentre eles as instituições jurídicas sólidas.
"O orador Cícero perenizou a frase “cedam as armas à toga” (cedant arma togae). Em 37 anos de serviço público, nos três Poderes da República, já vi muitas crises, umas profundas (como a pandemia da COVID), outras menos densas. Independentemente do tamanho, as saídas para as crises dependem de alguns elementos. Um deles é a consulta aos “clássicos”. Quando Cícero invocava as virtudes da toga (o poder civil) iluminava o poder da palavra, a ponderação, o julgamento racional, a sobriedade e os PROCEDIMENTOS. Um país sem instituições jurídicas sólidas é o sonho dos criminosos e abusadores de todos os feitios. E dos equivocados que se acham tão fortes que não precisam do Estado Nacional. Supostamente “se bastam”, por isso estão prontos a tocar lira enquanto Roma arde em chamas", iniciou Dino.
Ainda conforme o ministro, é preciso ouvir os envolvidos na crise para evitar um efeito manada que pode resultar em tragédia. "Finalmente, ao abordar uma crise temos que avaliar o TEMPO. Não Chronos. Falo de Kairós - o tempo oportuno. Se o sistema jurídico não tem autopoiese, ele é um mero joguete de outros poderes, por exemplo forças partidárias em luta eleitoral, Estados estrangeiros, organizações criminosas etc", acrescentou.
"Enquanto tais elementos são observados, seguir julgando os nossos processos judiciais não é autossuficiência ou “fingir que não há crise”. É fazer com que a toga fale mais alto do que as armas ou eventuais gritos de hipócritas. Lembro que o maior ORADOR de todas as épocas, Jesus Cristo, disse: “Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, mas não se dá conta da viga que está no seu próprio olho?” O STF é maior do que qualquer um que o integra, por isso a LEALDADE INSTITUCIONAL exige enfrentar os problemas reais, com o devido processo legal e no tempo certo. Ética da convicção e ética da responsabilidade, como nos ensinou Weber", concluiu o ministro.
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