Política

“Fui pego de surpresa”, diz advogado de Lulinha após abertura de investigação pela PF

Investigação da PF levanta suspeitas sobre corrupção e tráfico de influência envolvendo Lulinha e cannabis medicinal.  |  Reprodução

Publicado em 31/07/2026, às 16h53   Reprodução   Redação Bnews

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), classificou como uma possível “instrumentalização política” o inquérito aberto pela Polícia Federal contra o empresário. A investigação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, na quinta-feira (30).

O advogado Guilherme Suguimori disse, em entrevista ao site Metrópoles nesta sexta-feira (31), que há uma tentativa de encontrar “qualquer acusação” contra Lulinha e questionou a condução da investigação.

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“É um indicativo de que o Estado está instrumentalizando uma investigação. Se há uma pesca probatória focada em um indivíduo que é filho do presidente que vai correr nas próximas eleições, a primeira coisa que eu desconfio é de instrumentalização política”, declarou.

O advogado confessou que tomou conhecimento da abertura do inquérito pela imprensa e ainda não teve acesso aos documentos da investigação. Suguimori afirmou que pretende solicitar imediatamente o acesso aos autos para entender quais são os fundamentos da apuração.

“Eu fui pego de surpresa. Soube dessa notícia pelos jornais. Vou pedir acesso imediato a isso. Nós precisamos ver documentos, fatos, até se há uma nova teoria de investigação. Eu preciso conhecê-la adequadamente”, disse.

O defensor também criticou a forma como informações relacionadas ao caso têm chegado ao público antes dos advogados. Segundo ele, a defesa tem tomado conhecimento de movimentações da investigação por meio da imprensa.

“Tudo o que eu sei é o que vocês sabem. Na verdade, vocês provavelmente sabem mais do que eu, porque a pauta nesse inquérito tem sido assim. A imprensa avisa os advogados do que vai acontecendo. Nós raramente temos as notícias no inquérito”, afirmou.

O advogado negou ainda qualquer relação entre Lulinha e as fraudes envolvendo descontos ilegais em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

“Isso aqui não tem nada a ver com o INSS. O que eu digo desde o começo é que o Fábio nunca teve ligação com o INSS”, afirmou.

De acordo com Suguimori, conteúdos divulgados nas redes sociais chegaram a atribuir falsamente a Lulinha participação em desvios no órgão previdenciário.

“Eu cheguei a ver vídeo de inteligência artificial dizendo: ‘Olha, o Fábio roubou dinheiro do INSS dos pobres velhinhos’, imputando a ele como se estivesse participando da fraude do INSS, o que não era nem uma hipótese do próprio inquérito”, disse.

Investigação da Polícia Federal

O novo inquérito da Polícia Federal investiga suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo negócios relacionados à cannabis medicinal no Ministério da Saúde. 

A investigação busca verificar se Lulinha teria usado sua influência como filho do presidente Lula para facilitar negociações envolvendo sua amiga Roberta Luchsinger, proprietária de uma consultoria, e o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

Antunes é apontado pela Polícia Federal como uma figura central nas investigações sobre descontos considerados ilegais em aposentadorias e pensões do INSS e está preso.

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