Política

Geddel sobe o tom contra chapa puro-sangue do PT: “Me preocupa"

O ex-ministro Geddel reafirma que o MDB não aceitará ser tratado como um partido secundário nas discussões eleitorais.  |  Arquivo Bnews

Publicado em 16/01/2026, às 17h53   Arquivo Bnews   Daniel Serrano

O ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB) demonstrou desagrado com uma chapa formada por membros de um mesmo partido.

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Para as eleições deste ano, o PT vem se articulando para montar uma majoritária apenas com membros do partido, conhecida como chapa puro-sangue. A formação contaria com o governador Jerônimo Rodrigues disputando a reeleição. Para o Senado, os candidatos seriam o senador Jaques Wagner e o ministro da Casa Civil, Rui Costa.

Na última segunda-feira (12), durante a entrega das chaves do novo Terminal Rodoviário de Salvador ao governador Jerônimo Rodrigues, Wagner brincou e rebatizou a chapa como chapa ‘puro-governador’, já que os três virtuais componentes já passaram pelo comando do Governo do Estado.

Em entrevista exclusiva ao BNews, Geddel lembrou que, nas eleições de 2026, o ex-senador Antônio Carlos Magalhães adotou uma estratégia semelhante e acabou sendo derrotado.

“Me preocupa, portanto, essa noção que, por mais forte que seja uma chapa de governadores, se despreze o fato de serem todos do mesmo espectro.  Do ponto de vista da lógica, os votos dos três estão dentro da mesma corrente, por mais hábitos competentes, qualificados que sejam, todos os méritos. O voto do MDB, e não estamos falando de prefeito”, disse.

De acordo com Geddel, naquele mesmo ano, o então candidato ao governo Jaques Wagner utilizou a estrutura do MDB, “estrutura de tudo no início da campanha, e venceu as eleições”. “Portanto, essa é a minha maior preocupação. Eu acho que tem que buscar, eleição é sempre eleição, abranger novas correntes, novas lideranças. O voto não é automático, equivoca-se quem pensa isso”. 

“O MDB conquistou a vice, exerce essa função com lealdade partidária e lealdade individual do vice e pleiteia permanência no seu lugar. Isso é a função de um partido, não é a posição de uma negociação individual para o senhor Geraldo Júnior, A ou B”, emendou Geddel. 

Por fim, o ex-ministro disse que o MDB tem acompanhado as negociações sobre a montagem da chapa majoritária em silêncio. No entanto, garantiu que o partido não vai ficar amedrontado enquanto é fritado.

“O MDB não foi conversado por ninguém, nenhuma liderança importante desse espectro político tratou do MDB.  Temos ficado em silêncio. Vamos aguardar, mas fica claro que a minha manifestação: o MDB não vai ficar na janela com esse desgaste de tititi como se fosse um partido acoelhado”, disparou. 

“Nem o MDB é acoelhado, nem as lideranças são acoelhadas. Somos pessoas do diálogo, do entendimento, mas também sabemos observar. Não dá para ficar com essa sensação de fritura, de exposição e tal, ninguém gosta. Eu tenho certeza que Wagner não gosta, Rui não gosta, Jerônimo não gosta, o PT não gosta de se colocarem em uma posição de fritura, como eu não gosto de ser acusado. Nunca fiz política colocando faca no pescoço de ninguém, porque não gosto que botem a faca no meu pescoço”, finalizou. 

Classificação Indicativa: Livre


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