Política
Publicado em 28/09/2026, às 10h17 Divulgação Eduardo Costa
A vereadora de Salvador, Marta Rodrigues (PT), criticou nesta segunda-feira (28) as declarações feita pelo presidente do Missão na Bahia, Davi Pirajá, sobre promover uma "chacina" no Bairro da Paz e no Planeta dos Macacos, bairros periféricos da capital baiana.
As falas foram feitas em discurso no domingo (27) durante um ato do candidato à Presidência da República, Renan Santos (Missão), em frente a reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA), no bairro do Canela.
Cidade cheia de favela, toda tomada pelo crime. Somente nós aqui presentes hoje falamos: 'tem que ter uma chacina no Bairro da Paz! Tem que ter! Tem que ter uma chacina em Planeta dos Macacos, a gente tem que entrar nessas favelas e fazer um banho de sangue com todo mundo do Comando Vermelho'. Salvador é nossa!", disse Davi Pirajá.
Em resposta, Marta disse que Renan, mesmo não fazendo a fala, corresponsável pela gravidade do episódio ao endossar a declaração feita em palanque e deve responder pelas consequências da manifestação.
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“O que foi dito é de uma gravidade absurda. Estamos falando de uma declaração que banaliza a morte e transforma comunidades inteiras em alvo de violência. Isso não pode ser tratado como simples retórica de campanha. É uma fala criminosa e irresponsável, que precisa ser analisada pelas instituições de Justiça”, afirmou Marta.
Ainda segundo a petista, o discurso adotado por apoiadores de Renan segue a "mesma violência" ssociada ao bolsonarismo.
“Não é preciso estar no mesmo partido para reproduzir uma mesma visão de mundo. Esse discurso de ódio, de eliminação do outro e de banalização da morte dialoga diretamente com aquilo que o bolsonarismo ajudou a normalizar na política brasileira. Quem pretende conduzir um país precisa ter responsabilidade, ética e respeito pela vida. Não se pode querer governar milhões de brasileiros enquanto se trata uma comunidade como alvo de uma chacina”, declarou.
A vereadora defendeu que o caso seja investigado pela Justiça
“É preciso que a Justiça e as instituições responsáveis façam a apuração. Uma fala dessa natureza não pode ser naturalizada, esquecida ou tratada como bravata. O Bairro da Paz merece respeito, seus moradores merecem dignidade e ninguém pode defender uma chacina contra uma comunidade e achar que não terá de responder por isso”, afirmou.
Alvo do PGJ
O procurador de Justiça Rômulo de Andrade Moreira acionou a Procuradoria-Geral de Justiça da Bahia para pedir a abertura de uma investigação contra Davi Pirajá, presidente do partido Missão na Bahia, após uma fala durante um ato político realizado em Salvador. Na manifestação, o procurador aponta a possibilidade de enquadramento por apologia ao crime.
A iniciativa ocorreu após a repercussão de uma matéria do BNews sobre o episódio. De acordo com a peça apresentada pelo procurador, a reportagem foi amplamente divulgada nas redes sociais e acabou anexada ao procedimento como parte do material relacionado aos fatos.
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