Política
Publicado em 18/10/2026, às 17h28 - Atualizado às 17h30 Reprodução / CNN Money Redação BNews
Mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e à então responsável pelo marketing da instituição, Ana Matos, apontam uma suposta tentativa de combinar previamente perguntas de uma entrevista na CNN Brasil, além de negociações comerciais envolvendo a emissora. O conteúdo foi divulgado pelo ICL Notícias.
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Em abril de 2025, ao discutir uma possível entrevista sobre o balanço do banco e a operação de venda de parte da instituição ao BRB, Ana Matos escreveu que Vorcaro deveria combinar antecipadamente as perguntas do jornalista Fernando Nakagawa. “A gente dizer o que queremos falar. Tudo combinado. 100%. Eu vou com vc”, afirmou. O banqueiro, porém, decidiu enviar o economista-chefe do Master, Paulo Gala, para a entrevista.
Segundo o ICL, as conversas também mencionam investimentos anuais de R$ 10 milhões em publicidade na CNN e um pedido de R$ 4 milhões para patrocinar o evento CNN Talks, posteriormente negociado para R$ 1 milhão. Em outra mensagem, Ana comentou sobre os pedidos de recursos: “A CNN me parece outro saco sem fundo de querer grana. Kk”.
O Banco Central rejeitou a compra do Master pelo BRB em setembro de 2025 e decretou a liquidação extrajudicial do banco em novembro do mesmo ano.
Procurado, Fernando Nakagawa afirmou que conduziu a entrevista normalmente, abordando questões consideradas desconfortáveis para o Master, como a sustentabilidade dos CDBs e o uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Ele disse desconhecer possíveis interferências comerciais na pauta.
"Não lembro de nenhuma interferência na pauta, como a imposição de perguntas. Tanto que abordo temas não confortáveis ao Master, como a sustentabilidade da oferta de CDBs com 140% do CDI, se o banco estava dando lucro por que era tão importante procurar um sócio e sobre as críticas do uso do FGC e se o Master topava mudar a maneira de usar o FGC”, declarou.
Em nota, a CNN Brasil negou que Vorcaro tenha sido sócio da emissora ou do CNN Money e afirmou que o Master foi anunciante, com contratos protegidos por cláusulas de confidencialidade. O canal também declarou que os eventos patrocinados são identificados como tais e que mantém a separação entre as áreas comercial e editorial, garantindo a independência jornalística.
Leia a íntegra da nota da CNN Brasil:
"A CNN Brasil esclarece que Daniel Vorcaro nunca foi sócio da CNN Brasil ou do CNN Money. A emissora tem um único controlador, Rubens Menin. O Banco Master foi anunciante da CNN Brasil, com entregas de mídia convencionais nos intervalos comerciais e nas plataformas digitais. Os valores dos contratos comerciais são protegidos por cláusulas de confidencialidade, política aplicada a todos os anunciantes.
Vorcaro nunca concedeu entrevista à CNN Brasil ou ao CNN Money fora do CNN Talks – produto comercial, organizado desde sua criação pelo departamento comercial da emissora. Seus painéis são construídos em conjunto com as marcas parceiras e identificados ao público como conteúdo patrocinado. A redação não participa da concepção desses eventos e realiza apenas a cobertura jornalística. Os executivos que estavam à frente da CNN Brasil e de sua área comercial durante o período em que o Banco Master foi anunciante deixaram a empresa em agosto de 2025, meses antes da prisão de Daniel Vorcaro e da liquidação do banco.
A atual gestão mantém e fortalece a separação entre as áreas comercial e editorial, portanto, anunciantes não interferem nas decisões editoriais da CNN Brasil. Desde a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, a emissora vem realizando cobertura jornalística contínua sobre o caso e seus desdobramentos.
A CNN Brasil reitera seu compromisso com a independência editorial, a transparência e os princípios éticos que orientam sua atuação jornalística, mantendo a clara separação entre suas áreas comercial e editorial."