Política

Jerônimo e ACM Neto intensificam articulações em busca do voto evangélico na Bahia

Jerônimo Rodrigues e ACM Neto intensificam articulações com igrejas evangélicas para conquistar o eleitorado religioso  |  Imagem criada por IA

Publicado em 20/08/2026, às 05h30   Imagem criada por IA   Davi Lemos

As campanhas dos candidatos a governador da Bahia Jerônimo Rodrigues (PT) e ACM Neto (União Brasil) estão ampliando as articulações com lideranças, igrejas e movimentos evangélicos de olho nas eleições deste ano. Enquanto o grupo do governador, que busca a reeleição, prepara uma agenda com diferentes denominações para as próximas semanas, aliados do ex-prefeito de Salvador montaram uma comissão específica para discutir com o candidato pautas consideradas relevantes pelo segmento religioso.

Na campanha petista, a interlocução passa por nomes como Gutierres Barbosa, coordenador nacional do Setorial Inter-religioso do PT, e Neivia Lima, coordenadora do Núcleo de Evangélicos e Evangélicas da legenda. Gutierres argumenta que a aproximação do partido com o universo religioso antecede as atuais disputas eleitorais e lembra a influência das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), ligadas à Igreja Católica, na formação histórica do PT. Na Bahia, ele também cita a presença de lideranças evangélicas na base de Jerônimo, entre elas o pastor e deputado federal Sargento Isidório e Heber Santana, ligado à Igreja Batista Missionária da Independência.

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“O governador é católico, mas sempre teve relação de muito respeito com os evangélicos”, afirmou Gutierres. Como exemplos, ele mencionou a realização do Canta Bahia na capital e no interior e a presença institucional de Jerônimo em eventos e atividades de grupos e denominações religiosas, incluindo Gideões da Fé, Igreja Metodista e Assembleia de Deus. No plano nacional, o dirigente também destacou a sanção, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), da legislação relacionada à cultura gospel.

Neivia Lima informou que a campanha pela reeleição de Jerônimo está concluindo um planejamento de agendas com grupos evangélicos, com previsão de início na próxima semana. Segundo ela, as conversas envolvem batistas, presbiterianos e metodistas, além de pentecostais e neopentecostais, incluindo pequenas igrejas instaladas principalmente nas periferias. “O governador é católico, mas tem uma relação excelente com a comunidade evangélica. Nas eleições de 2022, Jerônimo teve um culto no primeiro turno, outro no segundo turno e um culto de gratidão após a vitória”, afirmou. Ela também lembrou que o governador sancionou a criação do Dia da Juventude Cristã na Bahia.

ACM Neto

Do outro lado da disputa, o deputado federal Alex Santana (Republicanos), responsável pela articulação de ACM Neto com o segmento evangélico, afirma que o candidato mantém uma relação antiga com esse eleitorado. “Neto sempre manteve uma linha de diálogo muito próximo do segmento e sempre teve identidade mais próxima de pautas conservadoras do segmento”, disse. Segundo o parlamentar, foi criada na campanha uma comissão destinada especificamente a debater as demandas do movimento evangélico com o candidato. “Ele é sensível para ouvir e manifestou interesse pelas posições dos evangélicos”, acrescentou.

Santana também destaca a crescente organização das denominações religiosas para conquistar representação institucional. “Existe já há um tempo uma organização interna de cada denominação para ter seus representantes, que gere representação mandatária. Isso fortalece aquilo em que você acredita, a identidade”, afirmou. Para o deputado, a participação dos evangélicos no debate político deve ser tratada como manifestação legítima de uma parcela da sociedade. “O evangélico é um cidadão que pode discutir seus direitos e suas crenças”, declarou, defendendo que o segmento tenha espaço para apresentar seus valores no debate sobre políticas públicas.

O coordenador da articulação de Neto considera ainda que o eleitorado evangélico poderá desempenhar papel relevante no resultado da disputa pelo Palácio de Ondina. “ACM Neto considera o movimento evangélico muito importante para o Estado da Bahia e quer ter diálogo”, afirmou. Na avaliação de Santana, uma eleição competitiva pode ser definida pela capacidade das campanhas de compreender grupos específicos do eleitorado: “Quem conseguir observar os detalhes do eleitorado, terá vantagem”.

Na articulação petista, Neivia Lima contesta a associação predominante entre o eleitorado evangélico e as pautas defendidas pela direita. Para ela, há uma “cooptação da pauta evangélica” por esse campo político, enquanto princípios sociais presentes no Evangelho deveriam ocupar maior espaço no debate. “Se a gente vai para o Evangelho, vemos que é a defesa dos mais fracos, das viúvas, dos pobres e dos necessitados. Conhecer a Deus é lutar por aqueles que mais precisam”, afirmou.

Neivia também critica o que considera uma concentração excessiva do debate político-religioso em questões comportamentais. “As questões morais não podem estar acima das coisas essenciais da vida. É equivocado quando se coloca que é a direita que está vivendo segundo o Evangelho de Cristo”, disse. Ela cita como exemplos princípios bíblicos relacionados à remuneração justa dos trabalhadores, ao descanso e ao cuidado com pessoas em situação de vulnerabilidade.

Com estratégias e discursos distintos, as duas principais campanhas ao Governo da Bahia buscam ampliar canais permanentes com um segmento considerado eleitoralmente relevante. De um lado, Jerônimo tenta reforçar relações construídas durante o governo e ampliar o diálogo com diferentes denominações. Do outro, ACM Neto aposta em uma interlocução organizada por aliados identificados com pautas conservadoras e na abertura de um canal específico para ouvir lideranças evangélicas durante a campanha.

Classificação Indicativa: Livre


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