Política
Publicado em 22/09/2025, às 11h30 - Atualizado às 11h31 Reprodução / TV Globo Yuri Pastori
Uma análise do Le Munde publicada nesta segunda-feira (22) diz que a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado é uma “bela lição de democracia” a outros países e “põe fim à cultura de impunidade dos golpistas”.
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No entanto, o jornal francês diz que “seria errado comemorar tão rapidamente” a condenação de ex-presidente, já que os aliados de Bolsonaro no Congresso Nacional tentam articular a anistia.
A publicação cita a "preocupante deriva autoritária" em países como a Venezuela e El Salvador, bem como os Estados Unidos, que segundo o Le Munde, são incapazes de condenar Donald Trump por ataques à democracia.
Visto de longe, o Brasil teria, assim, posto fim aos seus velhos demônios e fechado um ciclo nefasto iniciado com a crise econômica de 2015, seguida pelo escandaloso impeachment da presidente de esquerda Dilma Rousseff em 2016, a prisão de Lula entre 2018 e 2019 e o desastroso mandato de Jair Bolsonaro (2019-2023), que terminou violentamente em 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes com conotações golpistas saquearam as instituições de Brasília", diz o jornal.
Além disso, o Le Monde fala da situação semelhante que a líder da direita Marine Le Pen enfrenta na França, onde recorre a uma pena que a impediu por cinco anos de concorrer a cargos públicos por desvio de verbas públicas.
A esquerda também parece estruturalmente enfraquecida. Ela se mantém unida apenas pelo carisma decadente de um Lula sem herdeiros. O ex-líder sindical, que completará 80 anos em 27 de outubro, afirma não usar celular e tem dificuldade para dialogar com neopentecostais ou grandes proprietários de terras. Neste terceiro mandato, ele parece estar navegando pela visão, incapaz de deixar sua marca ou aprovar grandes reformas. Apesar das condições econômicas favoráveis, os brasileiros estão ficando cansados: segundo o Instituto Quaest, 59% deles acreditam que Lula não deve concorrer à reeleição em 2026”, acrescentou o jornal francês.
O Le Monde destaca outro ponto que pode beneficiar a direita no Brasil: a provável mudança que acontecerá no Supremo Tribunal Federal (STF) até 2030, prazo para que três dos onze juízes se aposentem por idade. Em caso de vitória bolsonarista nas eleições de 2026, uma maioria conservadora na Corte pode ser formada.
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