Política
Publicado em 03/10/2026, às 19h48 Reprodução / YouTube Maiara Lopes
Quem acompanhou de perto as eleições presidenciais de 2022 certamente se lembra de Padre Kelmon. O então candidato à Presidência ganhou notoriedade nacional em poucos dias de campanha, principalmente pelos embates protagonizados nos debates eleitorais e pela forte presença nas redes sociais. Quatro anos depois, o personagem que virou meme e chegou a irritar até William Bonner está novamente no cenário político mas, desta vez, mirando uma vaga na Câmara dos Deputados.
Kelmon entrou na disputa presidencial de forma inesperada. Ele assumiu a candidatura do PTB após o registro de Roberto Jefferson ser barrado pela Justiça Eleitoral. Com pouco tempo de campanha, terminou o primeiro turno em sétimo lugar, com 81.129 votos, o equivalente a 0,07% dos votos válidos. Apesar da votação baixa, sua participação nos debates garantiu uma exposição muito maior do que os números das urnas.
Um dos momentos que mais repercutiram aconteceu durante o debate realizado pela TV Globo. Kelmon protagonizou discussões com outros candidatos e chegou a receber uma advertência pública de William Bonner por descumprir as regras do encontro. Os confrontos, especialmente com Luiz Inácio Lula da Silva, rapidamente se transformaram em assunto nas redes sociais e renderam uma série de memes.
A campanha também foi marcada pela proximidade com Jair Bolsonaro. Na época, Kelmon adotou um discurso alinhado ao campo conservador e, depois do primeiro turno, declarou apoio ao então presidente na disputa contra Lula. A exposição fez com que seu nome permanecesse associado ao bolsonarismo mesmo após o fim da eleição.
Depois da disputa presidencial, porém, Kelmon passou por mudanças importantes. Em dezembro de 2022, a Igreja Ortodoxa do Peru no Brasil anunciou seu desligamento do clero e informou que ele não poderia mais ministrar sacramentos ou falar em nome da instituição. Durante a própria campanha presidencial, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) havia esclarecido que Kelmon não era sacerdote da Igreja Católica Apostólica Romana e não possuía vínculo com a instituição.
Longe de abandonar a política, ele continuou investindo na atuação pública. Em 2023, fundou o Foro do Brasil, movimento de articulação política e social de perfil conservador, do qual passou a ser uma das principais lideranças. Desde então, manteve a atuação ligada a pautas defendidas pelo campo da direita e continuou próximo de nomes do bolsonarismo.
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Agora, em 2026, Padre Kelmon voltou às urnas, mas com uma missão bem diferente daquela de quatro anos atrás. Filiado ao PL, ele disputa uma vaga de deputado federal por São Paulo. Em vez de tentar novamente chegar ao Palácio do Planalto, o ex-candidato presidencial tenta conquistar espaço no Congresso Nacional e transformar a notoriedade adquirida em 2022 em votos suficientes para garantir um mandato.
Durante a atual campanha, Kelmon voltou a aparecer ao lado de figuras ligadas ao campo bolsonarista e participou de eventos e transmissões voltados ao público conservador. O nome que há quatro anos estava diariamente nos debates e nas redes sociais, no entanto, hoje, aos 49 anos, aparece com bem menos frequência no noticiário nacional.