Política
Publicado em 05/08/2026, às 10h01 - Atualizado às 10h07 Lula - Ricardo Stuckert/PR Eduardo Costa
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manterá uma “distância segura" do seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, durante o período eleitoral.
Ambos são investigados pela Polícia Federal por ligações com o esquema de fraude no INSS.
Segundo informações do jornalista Gustavo Uribe, da CNN Brasil, Lula disse para aliados que não cometeu nenhuma irregularidade e que não é justo ser responsabilizado pela atuação de terceiros.
O petista reafirmou que cabe a Lulinha e Marcola fazerem a sua própria defesa e, preferencialmente, que adotem postura de transparência, prestando depoimento.
Lula também defendeu o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmando que nunca pediria para ele interferir em uma investigação.
Aliados do presidente avaliam que a recuperação singela de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas eleitorais pode estar associada a investigações contra Lulinha.
Investigações contra Lulinha
O filho do presidente Lula é investigado pela Polícia Federal em quatro diferentes inquéritos. Um deles, apura a atuação de Lulinha com um grupo de pessoas que teria mantido supostos negócios ilícitos em áreas do governo federal.
A primeira apuração investiga a suspeita de que Lulinha tenha favorecido a empresa de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "careca do INSS", que atua no setor de produtos medicinais à base de cannabis, em negociações com o Ministério da Saúde para facilitar contratos com o governo federal.
A segunda apura se Lulinha teria atuado para beneficiar uma empresa de tecnologia da informação junto à Dataprev. A companhia mantém contratos em vigor com o governo federal que somam R$ 55 milhões.
A terceira investigação mira a atuação de um grupo suspeito de manter negócios ilícitos em diferentes áreas do governo federal.
Já a quarta apura o vazamento de informações sigilosas relacionadas ao caso.
Recentemente, Lula defendeu que Lulinha, hoje na Espanha, retorne ao Brasil caso seja convocado, para esclarecer o episódio envolvendo o Careca do INSS à Polícia Federal.
Investigações contra Marcola
A Polícia Federal apontou que Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, fez um empréstimo pessoal de R$ 249 mil com a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e alvo de mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens e valores e determinação para uso de tornozeleira eletrônica em decorrência das investigações sobre as fraudes no INSS.
Em nota enviada à imprensa, Marcola afirmou que o empréstimo é de natureza "estritamente privada" e colocou seu sigilo bancário e fiscal "integralmente à disposição da Justiça".
"Faço isso para deixar claro e público que jamais houve nada além do empréstimo pessoal que obtive junto a ela, pago com a transferência bancária de R$ 249 mil - uma movimentação de natureza estritamente privada", afirma Marcola.
O presidente Lula ficou desconfortável com o episódio, já que Marcola era um dos seus assessores mais próximos. O petista foi quem recomendou que ele divulgasse uma nota oficial.
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