Política

Médicos que atenderam Bolsonaro estão sem receber pagamento

Durante os 57 dias em que Bolsonaro permaneceu na Papudinha, os profissionais tinham como única atribuição monitorar seu estado de saúde  |  Reprodução/Redes Sociais

Publicado em 17/06/2026, às 12h24 - Atualizado às 13h39   Reprodução/Redes Sociais   Redação Bnews

Ao menos três médicos da rede pública de saúde denunciaram o atraso no pagamento de honorários referentes aos plantões realizados durante a custódia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os profissionais atuaram no monitoramento constante da saúde do ex-mandatário ao longo dos 57 dias em que ele permaneceu no 19° Batalhão da Polícia Militar, Papudinha, prestando assistência em turnos variados com o apoio de técnicos de enfermagem.

Os relatos para o Metrópoles indicam que a convocação ocorreu via secretaria, sob o regime de Trabalho por Período Determinado (TPD), destinado a suprir demandas emergenciais. Contudo, os valores devidos, que deveriam ter sido quitados a partir de fevereiro, permanecem pendentes. Um dos servidores, que optou pelo anonimato, detalhou ter cumprido oito plantões, totalizando um recebimento estimado em mais de 15 mil pelas jornadas de até 24 horas.

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“Eles informaram que o plantão seria no formato TPD, mas neste formato a gente tem que bater ponto na SES mesmo. A gente tem que bater o ponto, entrar no sistema, enfim, tem que fazer essa parte, obviamente, para comprovar que está lá. E lá no Batalhão não tinha como, porque a gente assinava. Tinha um caderno em que a gente assinava a passagem de plantão com o ex-presidente”, explicou um dos médicos sobre o impasse burocrático que trava o recebimento.

A ausência dos lançamentos nos contracheques motivou uma consulta à Subsecretaria de Gestão de Pessoas (SUGEP), que instruiu a formalização do processo pelo Sistema Eletrônico de Informações (SEI). Apesar do envio de toda a documentação, os servidores alegam que não há previsão para o depósito. A justificativa oficial apontaria para falhas na tramitação administrativa, argumento rebatido pelos profissionais:

“Não temos nada a ver com o erro. A gente só foi trabalhar porque eles falaram que iam pagar como TPD; se fosse só por banco de horas, ninguém iria. Eles nunca falaram nada em relação a isso aí, que se tinha… se estava de forma certa ou não, sendo que a gente confiava porque era eles que falavam com a gente em um número da SES"

O serviço foi descontinuado em 26 de março, após a decisão do ministro Alexandre de Moraes que concedeu prisão domiciliar ao ex-presidente. Decorridos quatro meses do encerramento das atividades, o grupo aguarda a quitação dos valores e não descarta acionar o Judiciário para garantir o recebimento dos plantões realizados integralmente conforme a escala designada.

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