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Política

Meta admite que falhas prejudicaram Lula e beneficiaram Flávio Bolsonaro

Em mensagens internas, Meta também admite que Flávio foi indevidamente recomendado pelo algoritmo  |  Reprodução/Redes sociais

Publicado em 16/10/2026, às 14h07 - Atualizado às 14h46   Reprodução/Redes sociais   Antonio Dilson Neto

Mensagens internas da Meta indicam que funcionários da empresa identificaram problemas que prejudicaram a divulgação de conteúdos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e permitiram a recomendação indevida de perfis ligados ao senador Flávio Bolsonaro (PL)em plataformas digitais.

As conversas foram obtidas e divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo e tratam de episódios registrados durante a campanha do segundo turno da eleição presidencial de 2026.

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Em uma das mensagens, um funcionário da empresa afirmou que a conta de Lula estava em situação de desvantagem em relação à de Flávio Bolsonaro e alertou para o risco de uma ação judicial. O comentário ocorreu após o perfil oficial do presidente ficar impossibilitado de impulsionar publicações do feed do Instagram por quase 24 horas, em 9 de outubro.

Segundo a reportagem, a campanha de Lula estimou que aproximadamente 1,3 milhão de pessoas deixaram de receber os anúncios em razão da restrição. A equipe ainda conseguia promover conteúdos por meio de publicações conhecidas como dark posts, enquanto anúncios impulsionados anteriormente continuavam ativos.

O bloqueio, porém, impedia o investimento em publicações já disponíveis no perfil oficial.

A Meta atribuiu o episódio a um problema técnico no gerenciador de anúncios. Mensagens internas mostram que funcionários acionaram engenheiros nos Estados Unidos e reclamaram da demora para solucionar a falha, diante da urgência do caso durante a campanha eleitoral.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - Foto: Ricardo Stuckert / PR
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - Foto: Ricardo Stuckert / PR
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - Foto: Ricardo Stuckert / PR
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - Foto: Ricardo Stuckert / PR
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - Foto: Ricardo Stuckert / PR
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - Foto: Jose Cruz / Agência Brasil

Recomendação de perfis

Outro episódio relatado nas conversas envolve os mecanismos de busca e recomendação do Instagram. De acordo com a Folha, funcionários identificaram que o perfil de Flávio Bolsonaro aparecia entre as sugestões de busca, enquanto a conta de Lula não era exibida nem quando o nome do presidente era digitado integralmente.

As mensagens indicam que funcionários reconheceram que a recomendação do perfil do senador não deveria ocorrer e classificaram o episódio como uma falha. A justificativa técnica inicial para o problema envolvendo Lula foi o tamanho do nome utilizado na busca.

Flávio Bolsonaro - Foto: Charles Vieira / Campanha Flávio
Flávio Bolsonaro - Foto: José Cruz / Agência Brasil
Flávio Bolsonaro - Foto: Vittor Sales / Divulgação Campanha Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro - Foto: Divulgação / Campanha Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro - Foto: Divulgação / Campanha Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro - Foto: Divulgação / Campanha Flávio Bolsonaro

A empresa informou que corrigiu a falha, embora ainda houvesse diferenças nas sugestões exibidas para os dois candidatos.

A reportagem também identificou uma situação semelhante no WhatsApp. Ao pesquisar pelo termo “Exército do Lula”, usuários recebiam resultados que incluíam o Canal do Lula, o canal Tropa do Flávio e o Partido dos Trabalhadores. O canal administrado pelo deputado André Janones havia sido alvo de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas voltou a funcionar após novas decisões da Corte.

As regras eleitorais estabelecidas pelo TSE restringem a recomendação algorítmica de perfis e canais de candidatos. Pelas normas, esses espaços podem aparecer quando o usuário pesquisa o nome exato, mas não devem ser promovidos por mecanismos automáticos de recomendação.

Meta afirma que não favorece candidatos

Em 23 de setembro, anúncios de Lula e Flávio Bolsonaro teriam ficado temporariamente impedidos de ser publicados por cerca de uma hora, após um sistema apontar atividade suspeita. Já em 1º de outubro, anúncios da campanha do senador foram bloqueados por uma detecção de uso de inteligência artificial, embora a equipe de Flávio tenha contestado a identificação.

Em resposta à reportagem, a Meta negou interferir no processo eleitoral ou favorecer qualquer candidatura. A empresa afirmou que os episódios tiveram causas diferentes, incluindo falhas técnicas globais, um erro específico corrigido e a aplicação de regras eleitorais brasileiras.

A companhia também declarou que não oferece tratamento preferencial a candidatos, partidos ou posições políticas e que seus sistemas não são projetados para beneficiar determinadas candidaturas.

Classificação Indicativa: Livre


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