Política
Publicado em 26/10/2026, às 10h49 Reprodução Anderson Ramos
Uma projeção estatística conseguiu antecipar com precisão quase cirúrgica a vitória do presidente Lula (PT) no segundo turno das eleições deste ano.
Com apenas 2,42% das urnas apuradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o modelo desenvolvido pelo pesquisador Rodrigo Mahlmeister, doutorando em ciência política pela Universidade Duke (EUA), mestre em ciência política pela USP e bacharel em economia também pela USP, acertou o resultado final da disputa presidencial, com uma diferença de menos de 0,2%.
O cálculo também previu as duas viradas que aconteceram ao longo da apuração, algo inédito nas eleições presidenciais.
O modelo foi contratado pelo jornal Estadão, que entrevistou o pesquisador após o sucesso comprovado de sua criação. Mahlmeister admitiu que ficou tenso e chegou a duvidar do resultado que estava sendo apontado.
Fiquei tenso em acompanhar minha própria projeção, porque no primeiro turno acho que teve um desempenho até aqui parecido, mas era um resultado que eu achava muito factível. Quando apareceu Lula na frente, e não era tão pouco na frente, não foi nem tão apertado como em 2022 o Lula quase com quatro pontos de vantagem. Eu comecei a achar que eu ia cantar o vitorioso errado. Acho que nunca fiquei tão tenso na vida”, relatou.
Após o susto, o pesquisador fez uma análise sobre os motivos que levaram à reeleição do petista, contrariando o favoritismo de Flávio Bolsonaro (PL) apontado pela maioria das pesquisas na véspera da eleição.
“Acho que várias coisas inéditas aconteceram nessa eleição. Nunca as curvas se cruzaram mais de uma vez, nunca houve uma redução na abstenção tão alta entre os turnos. Muito mais do que qualquer cenário otimista, acho que foi um fator que favoreceu o PT, até porque foi uma abstenção que caiu sobretudo no sudeste e na Bahia, e acho que ela também tenha aumentado um pouco em estados do norte que tiveram segundo turno. É o que eu acho que no final das contas pode ter favorecido o PT”, avaliou.
O modelo criado por Rodrigo Mahlmeister faz uma projeção do resultado das eleições com com base nas seções já apuradas e nos votos por apurar nas mesmas seções em eleições anteriores.
Para o 2° turno das eleições presidenciais deste ano, por exemplo, foram considerados os resultados do segundo turno de 2022 e do primeiro turno de 2026. A proposta é identificar padrões entre os pleitos e, a partir das primeiras urnas apuradas, projetar o comportamento das demais.
O modelo estatístico considera desde o início o resultado das urnas que ainda precisam ser apuradas. As estimativas, no entanto, são ajustadas conforme novos resultados ficam disponíveis.
Na prática, a projeção não depende apenas da quantidade de votos já contabilizados, mas da relação entre os resultados observados no início da apuração e os padrões identificados em eleições anteriores. Isso permite estimar o comportamento do conjunto da votação antes que a maior parte das urnas tenha sido oficialmente totalizada.