Política

Moraes contra-ataca e usa inquérito das fake news para acusar Mendonça de crimes

Ministro do STF acusa colega de direcionar investigações em inquérito contra ele após mensagens no Caso Master  |  Bruno Peres/Agência Brasil

Publicado em 03/09/2026, às 20h16   Bruno Peres/Agência Brasil   Matheus Simoni

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes usou o inquérito das Fake News para acusar o ministro André Mendonça de crimes e pediu ao presidente da corte, Edson Fachin, que abra ação contra o colega dele. A decisão foi assinada nesta quinta-feira (3) e acontece após a revelação de mensagens no âmbito do Caso Master. Moraes enumera uma série de suspeitas contra Mendonça por usurpação da direção das investigações, condução irregular das tratativas de delação premiada e direcionamento de investigação contra ele.

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Na petição, Moraes declarou existir a presença de fortes indícios da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento a determinados grupos políticos no exercício da relatoria das Operação Sem Desconto e Operação Compliance Zero.

Até o momento, Mendonça não se manifestou sobre a denúncia de Moraes.

A situação acontece após André Mendonça determinar que a Polícia Federal (PF) investigasse quem recebeu as mensagens de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master. A PF identificou e descobriu que era o ministro Alexandre de Moraes, que possui foro privilegiado.

Na terça-feira, o procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, se manifestou nos autos defendendo a "dupla nulidade" da investigação que apura a relação de Moraes com Vorcaro. O PGR destacou que houve uma atuação monocrática de Mendonça e uma alegada interferência do magistrado na fase pré-processual.

Com isso, Alexandre de Moraes incluiu o nome de Mendonça no Inquérito 4781, conhecido como o "Inquérito das Fake News", a investigação criminal instaurada pelo STF em março de 2019 para apurar notícias fraudulentas, ameaças e ataques contra a Corte e seus ministros. O ministro cita que André Mendonça utilizou do cargo para desviar os avanços das investigações contra ele próprio e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), por “motivos pessoais e políticos, com indicação prévia das medidas cautelares”.

A situação escancara o STF rachado em meio às denúncias do Caso Master e amplia o histórico de trocas de farpas entre Moraes e Mendonça. Relembre:

O indulto de Silveira

Não é a primeira vez que os dois trocam farpas públicas. Em maio de 2023, durante uma discussão no plenário do STF sobre o indulto concedido a Daniel Silveira, ex-deputado federal, Mendonça citou críticas de jornalistas e articulistas à pena aplicada pelo tribunal. Na ocasião, Moraes interrompeu o colega repetidas vezes para questionar a credibilidade e a formação jurídica dos personagens citados por Mendonça, evidenciando o contraste de visões jurídicas no plenário.

Relembre:

8 de janeiro em pauta

Meses depois, em 2023, Moraes e Mendonça voltaram a protagonizar um embate no plenário do STF, desta vez tendo o episódio do 8 de janeiro como pano de fundo. A data marca a tentativa de golpe de estado em Brasília, quando golpistas invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília.

O bate-boca entre Alexandre e Mendonça ocorreu durante o julgamento de Aécio Lúcio Costa Pereira, o primeiro réu pelos atos golpistas a ter o caso analisado pela Suprema Corte.

Em um determinado momento da sessão, Mendonça lembrou que foi ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro, preso por conta do 8 de janeiro. Ele citou manifestações de 7 de Setembro e disse que agentes da Força Nacional poderiam ter sido acionados para evitar os ataques aos prédios públicos federais. Alexandre de Moraes, então, interrompeu o colega e afirmou que houve omissão no dia por parte da cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal, que deveria reprimir os manifestantes nas vias públicas. Os dois bateram boca em meio ao episódio.

Veja:

Fórum Lide

Em agosto de 2025, os dois participaram do Fórum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro, e trocaram indiretas no mesmo dia, mas em horários diferentes. André Mendonça afirmou que "um juiz tem que ser reconhecido pelo respeito, não pelo medo", defendendo a moderação e decisões que pacifiquem. Como resposta, horas depois, Moraes rebateu afirmando que o Judiciário é corajoso e independente, disparando que, se um magistrado "não resiste à pressão, que mude de profissão".

Classificação Indicativa: Livre


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