Política
Publicado em 27/06/2026, às 14h38 Reprodução / Instagram Rebeca Santos
O senador Sergio Moro (PL-PR), ex-juiz da Lava Jato e pré-candidato ao governo do Paraná, "fugiu" ao ser questionado sobre as críticas que fez no passado a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência. Durante um evento do PL, ele desviou do assunto e passou a colocar o presidente Lula (PT) como alvo.
Uma repórter perguntou sobre a reaproximação entre os dois. Ela lembrou que Moro já havia ligado Flávio ao caso das “rachadinhas” e acusado Jair Bolsonaro de interferir na Polícia Federal para proteger os filhos.
“Lá atrás o senhor falou que Flávio Bolsonaro cometeu [o crime de] ‘rachadinha’, disse que o [então] presidente Bolsonaro tentava defender os filhos interferindo na Polícia Federal. O senhor mudou de ideia e acha que ele não cometeu mais ‘rachadinha’?”.
Em seguida, ela insistiu: “Como é hoje andar ao lado do Flávio Bolsonaro que o senhor fez críticas?”.
Moro não respondeu sobre as acusações e disse: “Flávio Bolsonaro é o único com potencial para derrotar o Lula…”.
A repórter tentou voltar ao assunto: “Mas fora falar de Lula, ele [Flávio] não cometeu ‘rachadinha’?”. Moro evitou novamente e falou do governo federal: “Hoje quem está impedindo investigação é o Lula, protegendo o Lulinha do envolvimento do escândalo do roubo dos aposentados e pensionistas”.
Ainda questionado sobre “o dinheiro que ele [Flávio] recebeu do Banco Master”, Moro começou a ignorar as perguntas. A jornalista continuou: “Fora falar do Lula, o que o senhor tem mais a dizer para o [povo do] Paraná?”.
O episódio mostra como o passado pesa na nova aliança entre Moro e o grupo Bolsonaro. Em março, Flávio declarou apoio à candidatura de Moro ao governo do Paraná. Moro disse que apoia “o projeto de Flávio Bolsonaro à Presidência do Brasil”.
Moro e os Bolsonaro foram adversários no passado. Em abril de 2020, Moro deixou o Ministério da Justiça acusando Jair Bolsonaro de tentar interferir na Polícia Federal. Na época, ele disse que Bolsonaro queria alguém no comando da corporação para quem pudesse “ligar, colher informações, que pudesse colher relatórios de inteligência”.
Mesmo com esse histórico, Moro começou a se aproximar do bolsonarismo no segundo turno da eleição de 2022, quando apoiou Bolsonaro contra Lula. Na ocasião, ele declarou: “Coloquei de lado minhas divergências com Bolsonaro”.