Política
Publicado em 14/06/2026, às 15h09 Wikipédia Rebeca Santos
Prefeituras e governos estaduais estão de olho nas regiões que interessam à especulação imobiliária.
Segundo a colunista do Intercept, Sabrina Fernandes, há necessidade e oportunidade de recuperar áreas abandonadas pelo poder público. O objetivo seria oferecer moradia social de qualidade, facilitar a vida da população e contribuir para a adaptação às mudanças climáticas.
No entanto, o que está acontecendo é o oposto. Os interesses do mercado dominam os planos de revitalização e modernização das cidades. Em vez de melhorar a vida de todos, esses projetos reforçam o modelo de cidade excludente, insustentável e capitalista.
Esses projetos lembram o que acontece em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. A cidade é um exemplo claro de crescimento descontrolado, comandado pelas construtoras. A bolha imobiliária não dá sinais de perda de força. Pelo contrário: Balneário Camboriú lidera o ranking do metro quadrado mais caro do Brasil.
Cidades vizinhas, como Itapema e Itajaí, também aparecem no Top 5 dos imóveis mais caros do país.
Portais de investidores e a grande imprensa falam do aumento de preços como “valorização” e apresentam Balneário Camboriú como “polo de imóveis de alto padrão”.
Muitos comparam a região a uma “Dubai brasileira”.
A verticalização exagerada de Balneário Camboriú chama atenção. Há anos a cidade anuncia novos arranha-céus cada vez mais altos. Em breve, a Torre Senna, projeto da FG Empreendimentos e da Marca Senna (da família de Ayrton Senna), deve bater o recorde de torre residencial mais alta do mundo, com mais de 500 metros de altura e “18 mansões suspensas”.
O impacto na infraestrutura, no espaço urbano e no trânsito já congestionado é visto por muitos como oportunidade de negócio. A empresária Luciana Hang, por exemplo, comemora o crescimento.
O dono da Havan, que também participa da Torre Senna, defende que não há limites para o avanço da construção. Segundo ele, “Nem o céu” seria o limite para Balneário Camboriú.