Política

Operação Overclean: Elmar Nascimento vira alvo de investigação

Parlamentar baiano se tornou alvo da PF por conta do envio de emendas  para um convênio da Codevasf  |  Pablo Valadares | Câmara dos Deputados

Publicado em 07/04/2025, às 17h53   Pablo Valadares | Câmara dos Deputados   Redação

O deputado federal Elmar Nascimento(União Brasil-BA) virou alvo da investigação da Operação Overclean, deflagrada pela Polícia Federal que investiga desvios milionários em contratos bancados com emendas.

Segundo a decisão do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a 3ª fase da Overclean na última quinta-feira (3), o parlamentar baiano se tornou alvo da PF por conta do envio de emendas  para um convênio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf). A informação é do colunista Fábio Serapião, do portal Metrópoles.

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

Na decisão, o ministro aponta que a PF relatou que a análise de dados de celulares apreendidos pela operação apontaram para encontros entre o prefeito de Campo Formoso, Elmo Aluizio Vieira Nascimento, irmão de Elmar, de um superintendente da Codevasf, que teria sido indicado pelo deputado, e representante da empresa que venceria a licitação sob suspeita naquele município.

Segundo a PF, foram “obtidas informações de que os recursos envolvidos na contratação tinham origem em indicação, pelo parlamentar federal, de emenda posteriormente liberada”. Além da emenda, a PF também afirma ter apurado que o referido superintendente da autarquia foi indicado para o cargo por Elmar.

Foi justamente a citação a Elmar que fez com que a investigação subisse da primeira instância da Justiça Federal para o Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramita atualmente, sob a relatoria de Nunes Marques.

Na decisão que autorizou as ações da PF na última quinta, o ministro ainda cita informação da investigação de outro indício que aponta para o suposto envolvimento de Elmar.

Trata-se da apreensão de uma escritura pública na empresa de José Marcos Moura, conhecido como Rei do Lixo na Bahia e um dos principais investigados na Overclean. Moura é apontado como líder da organização criminosa investigada e foi alvo da mais recente fase da operação por suposta obstrução de justiça.

De acordo com a PF, a escritura revelaria indícios de que Elmar “pode ter realizado uma troca imobiliária no mesmo condomínio onde reside: entrega um apartamento de padrão inferior que lhe pertencia em troca de um apartamento de luxo registrado em nome de uma empresa patrimonial”.

Em nota enviada à coluna, a defesa de Elmar alega que a compra e venda do imóvel é “absolutamente regular” e “transparente” e que sua relação com Moura é “estritamente pessoal”.

O deputado afirmou, por meio da defesa, que a operação de compra e venda de imóvel celebrada é “absolutamente regular, transparente e foi devidamente registrada em cartório e lançada no respectivo imposto de renda”.

“A transação foi objeto de financiamento bancário regular e se submeteu a estrito escrutínio pela instituição financeira correspondente.”

Ele cita ainda que a regularidade do negócio foi reconhecida pelo próprio delegado do caso. “A defesa desconhece qualquer afirmação diferente dessa, até porque, insista-se, trata-se de operação negocial corriqueira, transparente e sem qualquer indício mínimo de irregularidade”, diz trecho da nota.

Com relação às emendas, a defesa do deputado afirma que, até 2024, as emendas destinadas à Codevasf eram de autoria do relator geral, embora seja “natural” que os parlamentares que integram a bancada da Bahia na Câmara se esforcem para que recursos do Orçamento alcancem o maior número possível de municípios do estado.

Por fim, a defesa do deputado também afirma que ele não indicou emendas ao DNOCS, e “jamais teve relação com as empresas de Alex e Fabio Parente”.

Por meio de nota, a Codevasf afirmou que não possui contrato com a empresa mencionada no âmbito das investigações.

“A Companhia mantém convênio com o município de Campo Formoso. Órgãos convenentes, como prefeituras, são os entes responsáveis pelos procedimentos de contratação realizados no âmbito de convênios. Órgãos concedentes — neste caso, a Codevasf — acompanham a execução do objeto dos convênios e, ao final, avaliam prestações de contas; não há participação em processos de licitação ou contratação. Os procedimentos de execução do convênio encontram-se sob responsabilidade do município”, diz a nota.

Classificação Indicativa: Livre


TagsBahiapolícia federalstfSupremo Tribunal FederalimóvelCampo FormosoElmar Nascimentodesviosemendascodevasforganização criminosaKassio Nunes MarquesOperação OvercleanJosé Marcos MouraRei do LixoTroca imobiliária

Leia também


Operação Overclean mira empresário suspeito de ser operador financeiro de esquema de desvios milionários


ACM Neto se manifesta sobre amizade com investigado pela PF na Overclean: 'Não foi negado'