☰
✕

Política

Análise: Oposição sente o golpe e pode passar por reorganização na Bahia

Derrota de ACM Neto e redução de cadeiras da Federação União Progressista na Alba devem trazer mudanças no grupo adversário do PT no estado  |  Vittor Sales/Divulgação Campanha Flávio Bolsonaro

Publicado em 13/10/2026, às 15h53 - Atualizado às 16h40   Vittor Sales/Divulgação Campanha Flávio Bolsonaro   Anderson Ramos

Tentar acertar o futuro é sempre uma tarefa ingrata, ainda mais quando se trata de política. Apesar do risco, essa projeção se faz necessária para entender o contexto na Bahia depois do resultado das urnas, e se existe algo que se pode falar sem medo de errar é que a oposição ao PT no estado sentiu o golpe e pode passar por uma reorganização forçada.

O baque na oposição não se resumiu apenas na derrota da chapa encabeçada por ACM Neto, que tinha como candidatos ao Senado Angelo Coronel e João Roma. O número de representantes na Alba do União Brasil e Progressistas (PP) que formam a Federação União Progressista, caiu pela metade de 2022 para 2026. Há quatro anos, o UB elegeu 10 deputados estaduais e o PP formou uma bancada de seis cadeiras. Agora o número caiu para cinco e três, respectivamente.

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

Mas nem tudo é desespero na oposição. O PL baiano se mostrou resiliente e acompanhou o crescimento que a legenda teve no cenário nacional. O partido de Flávio Bolsonaro aumentou sua bancada na Alba de quatro para sete deputados e foi o único partido do grupo além do Republicanos (que passou de três para quatro), que conseguiu ampliar suas cadeiras no parlamento baiano.

Esse desempenho do PL na Bahia somado a uma eventual vitória de Bolsonaro no segundo turno pode formar um combo com potencial de alterar o cenário do bloco opositor ao governo petista. Aliado a isso, alguns movimentos públicos e de bastidores ajudam a alimentar ainda mais a imaginação dos observadores de plantão.

O apoio de ACM Neto a Flávio Bolsonaro no segundo turno chamou atenção, mas não deixou de ser uma decisão calculada. Ao pular de vez no barco do bolsonarismo - que foi renegado por ele ao longo da campanha - Neto se coloca como candidato a um eventual ministério e vai tentar se manter na liderança da oposição na Bahia.

Mas, ao que tudo indica, ele vai ter que encarar uma concorrência pesada. João Roma não foi eleito senador, mas se sagrou como um dos vencedores da eleição. Sob sua liderança, o PL aumentou as bancadas estadual e federal, e ainda conseguiu ampliar a votação de Flávio em relação à de Jair Bolsonaro contra Lula, um feito e tanto considerando que a Bahia é um dos maiores redutos petistas do Brasil.

Vale destacar que o cenário complexo da oposição na Bahia não se modifica se Flávio não for eleito. No caso de derrota dele, o bolsonarismo não vai deixar de existir. A avalanche de votos no primeiro turno que elegeu 121 deputados federais, 28 senadores e 212 deputados estaduais não vai sumir de um hora para outra e o partido tende a buscar a consolidação nas eleições municipais de 2028.

O resultado das eleições de 2026 antecipou o debate sobre a disputa pela Prefeitura de Salvador. Tanto o grupo de ACM Neto quanto os liderados do governador reeleito Jerônimo Rodrigues já pensam estratégias para vencer a eleição que acontece daqui a dois anos.

Classificação Indicativa: Livre


TagsACM NetoBahiaeleições municipaisflávio bolsonaroJerônimo RodriguesJoão RomaoposiçãoptprogressistasRepublicanosUnião Brasil

Leia também


Análise: A Padroeira do Brasil, o padroeiro dos políticos e a lama das eleições de 2026


Análise: ACM Neto abraça de vez o bolsonarismo e deixa claro que voto 'Lu-Neto' nunca existiu