Política

Parlamentares enviaram emendas para hospital que contratou lobista; entenda

O Hospital Ana Nery, de Santa Cruz do Sul (RS), recebeu emendas de sete parlamentares após contratação de lobista  |  Divulgação

Publicado em 15/02/2025, às 09h39   Divulgação   Redação Bnews

Investigação da Polícia Federal indica que ao menos sete parlamentares enviaram emendas ao hospital Ana Nery, em Santa Cruz do Sul (RS), após a unidade hospitalar contratar lobista para intermediar a captação destes recursos. O intermediário teria uma comissão de 6% sobre os valores repassados à unidade hospitalar.

Segundo a PF, em dezembro de 2022, o hospital contratou Cliver Fiegenbaum para realizar contato com parlamentares e buscar emendas. Em notas fiscais, consta que o objetivo era “captação de recursos através de indicações de emendas parlamentares”. A contratação está no centro da Operação Emendafest, que cumpriu mandados de busca e apreensão na quinta (13).

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O caso não tem parlamentares investigados até o momento. Na decisão que autorizou as buscas, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirma que é necessário apurar “quem foram todos os autores das emendas, além do deputado citado”. Dino se referia, na decisão que autorizou busca e apreensão, a Afonso Motta (PDT/RS), cujo assessor Lino Furtado foi um dos alvos de busca e apreensão da PF. A corporação está investigando R$ 1 milhão em repasses do deputado.

A Polícia Federal registrou um áudio trocado entre Cliver André Fiegenbaum e Lino Rogério da Silva Furtado. No áudio, segundo os investigadores, Cliver oferece mais dinheiro a Lino.

"Há um áudio de Cliver André Fiegenbaum, falando sobre valores, pagamentos que seriam efetuados em favor de Lino Rogério da Silva Furtado: ‘Os pequenos eu posso complementar e botar mais 10 em cima. Pra tu confiar na parceria e eu quero continuar com a tua parceria ano que vem. (...) Então tu tem que ver, era 400, faltou 15, te levo mais, mais 25. Isso eu tenho do meu, aí eu nem envolvo ninguém, porque eu não quero estragar a parceria e tu vai ver que nós não vamos ratear contigo.’"

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, que autorizou a operação, classificou a prática como crime. "A representação da PF descreve a existência de uma organização criminosa que direcionava emendas parlamentares e se apropriava de parte desses recursos públicos", afirmou Dino em sua decisão. Furtado aparece em conversas com Cliver Fiegenbaum que indicam, segundo a PF, o pagamento de propina para a liberação de emendas ao hospital Ana Nery.

Outros parlamentares

Afonso Motta não é o único deputado que enviou emendas para o hospital. Levantamento feito pela coluna Fabio Serapião, do Metrópoles, mostra que outros cinco deputados e dois senadores também empenharam valores de emendas para o Ana Nery. Os repasses foram realizados entre 2023 e 2024, depois que o hospital fechou o contrato com a empresa de Cliever para a captação de emendas. Nenhum desses repasses foi pago até o momento, conforme dados do Portal Transparência.

O que mais empenhou dinheiro foi Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL) e atual senador pelo Rio Grande do Sul. Ele destinou R$ 400 mil ao hospital em 2024.

O hospital se pronunciou nas redes sociais:

Classificação Indicativa: Livre


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