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Pau que dá em Chico, dá em Francisco: Investigação revela como governos Bolsonaro e Lula atuaram na "farra do INSS"

Durante o governo Bolsonaro, quatro diretores de Benefícios do INSS assinaram acordos com 12 entidades  |  Reprodução/Metrópoles

Publicado em 16/05/2025, às 06h30   Reprodução/Metrópoles   Rebeca Santos

Uma investigação baseada em dados da Operação Sem Desconto, nomeações de diretores do INSS e valores descontados por entidades conveniadas mostra que os governos de Jair Bolsonaro (PL) e Lula (PT) tiveram papéis complementares no esquema de descontos irregulares de aposentadorias, conforme revelado pelo Metrópoles.  

O estudo detalha como entidades buscaram firmar convênios com o INSS, com um crescimento exponencial nos descontos durante o governo Lula, após a criação de várias dessas associações no mandato de Bolsonaro.

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A análise considerou apenas entidades que fecharam acordos a partir de 2019, excluindo organizações como Contag, Sindnapi e Conafer, que já tinham convênios anteriores.  

Crescimento de convênios e descontos

Durante o governo Bolsonaro, quatro diretores de Benefícios do INSS assinaram acordos com 12 entidades, que descontaram R$ 2,1 bilhões dos beneficiários. Já no governo Lula, três diretores (um deles nomeado ainda por Bolsonaro) autorizaram 18 convênios, mas os descontos somaram apenas R$ 235 milhões.  

A diferença se deve ao fato de que muitas dessas entidades não iniciaram as cobranças após a denúncia do Metrópoles sobre a "farra do INSS".  

MICHAEL MELO/METRÓPOLES @michaelmelo

O aumento no número de convênios começou na gestão de José Carlos Oliveira, nomeado por Bolsonaro para a diretoria de Benefícios (maio a novembro de 2021). Ele também foi presidente do INSS e ministro da Previdência no mesmo governo.

Sob sua gestão, foram firmados três convênios com entidades que arrecadaram R$ 695 milhões em descontos.  

Os dados evidenciam uma continuidade no padrão de autorizações, com ambos os governos contribuindo para a expansão do esquema.

Tanto a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec) como a Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB) são suspeitas de terem transacionado com supostos operadores do esquema.

Entre dezembro de 2021 e março de 2025, a Ambec foi a empresa que mais arrecadou recursos por meio de descontos, acumulando R$ 500,9 milhões. De acordo com a Polícia Federal, parte desse valor — R$ 11,9 milhões — teria sido direcionada a Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS".  

Dados da Controladoria-Geral da União (CGU) mostram que a arrecadação da entidade era de apenas R$ 135 mil em 2021.

Em 2022, o valor disparou para R$ 14,9 milhões, um aumento de 110 mil vezes em relação ao ano anterior. Em 2023, o crescimento foi ainda mais expressivo, alcançando R$ 91,3 milhões.  

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TagsINSSLulaJair Bolsonaroaposentadoriasfarra do inssAmbec

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