Política
Publicado em 19/10/2026, às 12h03 Reprodução Redação Bnews
A Polícia Federal (PF) levantou suspeitas após o advogado e empresário Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), viajar para o exterior na semana passada, em meio a investigações sobre sua relação com o parlamentar no Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, investigadores suspeitam que a viagem possa ter ocorrido para evitar eventuais medidas cautelares.
Em resposta à coluna, Willer confirmou que deixou o Brasil na semana passada com a esposa e os dois filhos. O advogado ressaltou que não existe qualquer restrição que o impeça de viajar para fora do país.
O nome de Willer Tomaz aparece em uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo sua relação com Flávio Bolsonaro. O inquérito foi encaminhado pela PF ao STF e chegou à Corte em 8 de outubro. A investigação foi distribuída por sorteio, e o ministro Alexandre de Moraes ficou responsável pela relatoria.
A relação entre o advogado e o senador inclui vínculos financeiros, viagens internacionais e negócios jurídicos. A PF identificou que Flávio constava como “usuário master” de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa pertencente a Willer, no Banco Santander. Em maio de 2025, uma funcionária do advogado solicitou a exclusão do nome do senador da conta.
Os dois também realizaram viagens internacionais juntos, incluindo deslocamentos para os Estados Unidos, a África do Sul, Portugal e França. Parte dos trajetos estava vinculada a empresas de Willer. Entre as aeronaves relacionadas aos deslocamentos está um jatinho Legacy 650, que também tem ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Outro vínculo envolve um apartamento na Vila Nova Conceição, na zona sul de São Paulo. Em agosto, Willer cedeu o imóvel para Flávio utilizar durante a campanha eleitoral. O apartamento tem histórico de ligação com Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Flávio e Willer também atuam juntos em processos judiciais. Um dos casos identificados envolve uma disputa empresarial no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Willer Tomaz é investigado pela PF em uma petição paralela à Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos ilegais em aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), revelado pelo Metrópoles em 2025.
A coincidência entre a abertura do inquérito envolvendo Flávio e a viagem internacional de Willer levantou suspeitas entre investigadores sobre a possibilidade de o advogado ter deixado o país para evitar eventuais medidas cautelares.
Em nota, o advogado afirmou que não é alvo de investigação sobre as fraudes no INSS e que não sofre restrições ao direito de ir e vir. Segundo ele, o procedimento em andamento trata da propriedade de um imóvel.
Confira a íntegra da manifestação:
“O advogado Willer Tomaz tem endereços residenciais e comerciais conhecidos e não sofre qualquer restrição ao direito constitucional de ir e vir.
Ele não é alvo de apuração sobre fraudes no INSS. O procedimento em curso diz respeito à propriedade de um imóvel.
Especular, sem fundamento, sobre eventuais medidas cautelares é fofoca de mau gosto, destinada a fabricar fatos com fins político-eleitorais.”
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