Política

PF nas ruas: Operação mira financiamento de filme sobre Bolsonaro e faz buscas contra Karina Gama e Mario Frias

Ação cumpre mandados contra 22 pessoas e apura repasses milionários ligados ao fundo Havengate, apontado como financiador da produção  |  Arquivo / PF

Publicado em 10/09/2026, às 06h59 - Atualizado às 07h00   Arquivo / PF   Redação Bnews

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (10) uma operação para investigar o financiamento do filme “Dark Horse”, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ação cumpre mandados de busca contra Karina Gama, Mario Frias e outras 20 pessoas. O caso está sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). As informações são do blog da jornalista Andréia Sadi.

A investigação ocorre após revelações sobre repasses milionários ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso e ex-dono do Banco Master, para financiar a produção.

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Repasse de R$ 61 milhões

Em maio, o site Intercept Brasil revelou uma troca de mensagens e um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) cobrava dinheiro de Vorcaro para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro.

Segundo a reportagem, Vorcaro pagou ao menos R$ 61 milhões em 2025. Os recursos teriam sido transferidos para um fundo nos Estados Unidos administrado pelo advogado Paulo Calixto, ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), irmão de Flávio.

Na quarta-feira (9), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou o acordo de delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”.

O empresário é dono da Entre Investimentos, empresa que, a mando de Vorcaro, fez repasses relacionados ao filme “Dark Horse”. Segundo a delação, os valores foram pedidos a Vorcaro por Flávio Bolsonaro.

Delação detalha transferências

Na colaboração, assinada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em 8 de agosto, Mineiro afirmou que era responsável por “gerar” dinheiro vivo para a equipe de Vorcaro. Segundo o empresário, o dinheiro era entregue em malas e seria usado para pagamentos de propina.

Mineiro também afirmou ter realizado sete repasses, apresentados como “subscrições de cotas”, para o fundo Havengate, nos Estados Unidos. As transações ocorreram entre janeiro e setembro de 2025 e somaram US$ 12,333 milhões, valor que equivalia a R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro daquele ano.

A subscrição de cotas ocorre quando um fundo emite novas cotas para aumentar seu patrimônio e recebe aportes de investidores.

"Entre o final de 2024 e início de 2025, Antonio Carlos foi contatado por Daniel Vorcaro, por WhatsApp, com a solicitação de envio de valores ao exterior por meio da subscrição de cotas desse fundo pela Entre Investimentos. Até esse momento, Antonio Carlos desconhecia o fundo em questão", afirmou o empresário, segundo o blog apurou.

"A solicitação inicial de Daniel Vorcaro foi para o envio de cerca de US$ 24 milhões, que seriam operacionalizados em mais de dez subscrições, entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026", disse o empresário.

No entanto, somente sete transações foram realizadas. Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025.

Flávio Bolsonaro vinha afirmando que o último pagamento de Vorcaro havia ocorrido em maio de 2025. O pagamento realizado em setembro, de US$ 1,666 milhão, contraria essa afirmação.

E-mails e comprovantes foram entregues

Mineiro entregou às autoridades comprovantes das transferências para o pagamento das subscrições de cotas e e-mails trocados com Paulo Calixto, responsável pelo fundo Havengate e advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

"No início de 2025, foi feito contato, por e-mail, com o gestor fiduciário do fundo, Paulo Calixto, para as formalizações necessárias, o que cumulou na assinatura de uma 'Letter of Agreement' [carta de compromisso] em janeiro de 2025, pela Entre Investimentos, prevendo mais de dez subscrições de cotas do Havengate Developmente Fund", disse o dono da Entre.

"Um pouco antes de cada uma das demais subscrições previstas na 'Letter of Agreement', Daniel Vorcaro entrava em contato com Antonio Carlos, por WhatsApp, para que ele formalizasse a subscrição e fizesse o pagamento respectivo", relatou o empresário.

Antonio Carlos afirmou que não tinha conhecimento sobre o destino dos valores enviados ao fundo Havengate.

A PF investiga se todo o dinheiro foi usado no filme “Dark Horse”, como afirmam Flávio Bolsonaro e a produtora Go Up, ou se parte dos recursos teve outros destinos, como o custeio de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Recursos das Bahamas também são investigados

Em seu acordo de delação, Antonio Carlos afirmou ainda ter feito outros pagamentos no exterior, a mando de Vorcaro, por meio da Entre Investiments and Arbitrage Ltd., empresa sediada em Nassau, nas Bahamas.

Segundo o empresário, Vorcaro enviava “invoices” (faturas) que deveriam ser pagas. Mineiro não detalhou quem eram os beneficiários desses pagamentos.

Uma das linhas de investigação da PF é verificar se recursos mantidos em paraísos fiscais, como as Bahamas, também foram enviados ao fundo Havengate ou a pessoas relacionadas a ele.

Procurado, o advogado do delator, Marco Petrelluzzi, afirmou que não vai comentar o caso devido ao segredo de Justiça.

A assessoria de Flávio Bolsonaro também foi questionada sobre os relatos do delator e respondeu que as informações têm sido dadas pela produtora Go Up, que já apresentou as contas do filme.

A Go Up contratou uma auditoria particular que afirmou, em junho deste ano, que as contas de “Dark Horse” estão regulares. Os documentos da auditoria, porém, não foram tornados públicos, incluindo as notas fiscais dos gastos da produção.

Segundo a auditoria particular, o filme custou R$ 75 milhões e foi bancado pelo fundo Havengate.

Classificação Indicativa: Livre


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