Política

PF vê mesmo padrão entre supostos pagamentos de propina a Jaques Wagner e ex-presidente do BRB

A PF identificou métodos semelhantes usados para ocultar pagamentos a Jaques Wagner e Paulo Henrique Costa.  |  Domingos Junior / BNews

Publicado em 31/07/2026, às 07h42   Domingos Junior / BNews   Davi Lemos

A Polícia Federal (PF) identificou semelhanças entre os supostos mecanismos usados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para pagar vantagens indevidas ao senador Jaques Wagner (PT/BA) e ao ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. A conclusão aparece em documentos da Operação Compliance Zero divulgados nesta quinta-feira (30) por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A comparação foi feita durante a apuração sobre a aquisição de um apartamento pelo Banco Master que teria como beneficiário o senador baiano. Conforme a PF, “o fluxo financeiro utilizado para mascarar a origem dos recursos e o beneficiário da compra do imóvel ocorre com sistemática muito semelhante à adotada na propina paga ao então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa”.

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Os investigadores sustentam que os valores passavam por fundos de investimento antes de chegar a uma empresa de fachada, registrada em nome de um suposto laranja e criada especificamente para a operação. Essas empresas seriam constituídas como Sociedade Anônima (S.A.) ou Sociedade de Propósito Específico (SPE), modelos que, segundo a corporação, dificultariam a identificação do beneficiário final.

Ligações
Outro relatório da PF aponta que Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro no Banco Master, trocaram 74 ligações entre novembro de 2023 e maio de 2025. Juntas, as conversas somaram cinco horas e 30 minutos. Conhecido como “Guga Lima”, o empresário também foi CEO do Master e controlador do Banco Pleno, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em fevereiro.

Na nona fase da Compliance Zero, deflagrada em junho, Wagner esteve entre os alvos da investigação. A PF afirma ter reunido indícios do “recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente”, mediante familiares, pessoas de confiança e estruturas empresariais vinculadas ao banco. Entre os possíveis benefícios investigados estão a compra do imóvel, ingressos para um show e ao menos quatro viagens em aeronaves relacionadas ou operadas por pilotos ligados a Augusto Lima.

Preso preventivamente na primeira fase da operação, em novembro de 2025, Augusto Lima foi solto dias depois e passou a usar tornozeleira eletrônica por determinação da desembargadora Solange Salgado. Um interrogatório previsto para janeiro acabou cancelado depois que a defesa informou que ele permaneceria em silêncio sem acesso integral às provas. Intimado novamente para depor em maio, o empresário é considerado peça importante na investigação sobre as relações do Banco Master com as empresas Tirreno e Cartus e com o BRB.

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