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Política

PL quase dobra bancada no Senado e ganha força por impeachment de ministros do STF

Partido de Flávio Bolsonaro salta de 15 para 28 cadeiras no Senado e ganha força para pautar impeachment de ministros da Corte  |  Marcos Oliveira/Agência Senado e Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Publicado em 05/10/2026, às 05h54   Marcos Oliveira/Agência Senado e Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil   Redação Bnews

O Partido Liberal (PL), principal sigla de oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quase dobrou sua bancada no Senado após as eleições deste domingo (4) e passará de 15 para 28 senadores a partir de 2027. O avanço dá ao partido de Flávio Bolsonaro uma posição de força na Casa e amplia a pressão da oposição por pautas como o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Dos 28 integrantes que o PL terá na próxima legislatura, 19 foram eleitos neste domingo. Outros nove já estavam no Senado e cumprem mandato. O resultado representa a segunda maior bancada já alcançada por uma sigla desde a redemocratização, em 1985. O recorde pertence ao MDB, que chegou a ter 29 senadores em 1990 e, na legislatura anterior, chegou a 28.

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PL ainda precisará de aliados

Apesar do crescimento, o PL não terá votos suficientes sozinho para aprovar as principais pautas defendidas pelo bolsonarismo. Um eventual impeachment de ministro do Supremo exige dois terços dos votos do Senado, o equivalente a 54 parlamentares. Já propostas de emenda à Constituição precisam de três quintos, ou 49 votos.

A segunda maior bancada será a do PT. A legenda de Lula elegeu seis senadores e terá nove representantes. A federação União-PP ficará com 11 senadores, enquanto o MDB terá oito parlamentares a partir de 2027.

O PSD, que atualmente ocupa a segunda maior bancada, perderá espaço. O partido elegeu dois senadores e passará dos atuais 14 para seis.

Impeachment de ministros do Supremo entra no radar

A eleição para o Senado era tratada como prioridade pelo bolsonarismo. Antes de ser preso por liderar uma trama golpista, o ex-presidente Jair Bolsonaro chegou a dizer, em discursos, que a disputa pela Casa era mais importante que a própria eleição presidencial.

O Senado tem competência para pautar processos de impeachment de ministros do STF, uma das principais bandeiras da oposição. Flávio Bolsonaro já afirmou que pretende pressionar pela votação do afastamento de integrantes da Corte, tendo Alexandre de Moraes como um dos principais alvos.

Moraes é considerado inimigo político do bolsonarismo após condenar Jair Bolsonaro e aliados.

Disputa pela presidência do Senado

O crescimento do PL também deve mexer com a disputa pelo comando do Senado. Em fevereiro, os parlamentares elegerão quem ficará à frente da Casa até 2029.

O União Brasil, partido do atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (AP), elegeu dois senadores e terá quatro a partir do próximo ano. Com o PP, que forma uma federação com o União, o grupo terá dez senadores.

Alcolumbre vinha articulando apoio de Lula para tentar permanecer no cargo, mas o fortalecimento do PL pode dificultar a estratégia.

O presidente do Senado chegou a pautar para esta semana a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da jornada 6x1. A medida é uma prioridade do presidente Lula, que tenta usar a proposta como trunfo eleitoral. A votação, porém, ficou incerta diante do tamanho da oposição que saiu das urnas.

Os novos senadores só assumirão os mandatos em 2027, mas já formam uma base de apoio que Alcolumbre deve mirar para tentar permanecer no comando da Casa.

Com a maior bancada, Flávio Bolsonaro e aliados também devem tentar eleger um nome do PL para a presidência do Senado. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do presidenciável, é apontado como o nome do grupo para comandar a Casa.

PL elege duas vagas em quatro estados

O PL conseguiu eleger os dois senadores em disputa em mais de um estado.

No Rio, foram eleitos Carlos Jordy e Carlos Pontinho. Em Santa Catarina, Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro, irmão do presidenciável, venceram a disputa.

No Distrito Federal, Michelle Bolsonaro, madrasta de Flávio, e Bias Kicis foram eleitas. No Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja e Capitão Contar conquistaram as duas vagas.

O resultado também representa recuos para a base de Lula em alguns estados. No Rio Grande do Sul, Paulo Paim (PT) encerra o mandato e serão eleitos Marcel Van Hattem (Novo) e Sanderson (PL).

No Distrito Federal, Leila Barros (PDT) deixa o cargo, enquanto Michelle Bolsonaro e Bia Kicis assumirão as vagas.

O PT elegeu Rui Costa (BA), Jaques Wagner (BA), Humberto Costa (PE), Rogério Carvalho (SE) e Marília Campos (MG).

Entre os nomes tradicionais que não conseguiram a reeleição estão Renan Calheiros (MDB-AL), que foi presidente do Senado quatro vezes e estava na Casa havia 31 anos, e o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI).

Classificação Indicativa: Livre


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