Política

PM ligado a vice-governador movimentou R$ 9,6 milhões, diz MP

Parte do dinheiro movimentado pelo tenente-coronel foi transferida  para pessoas ligadas à família e ao grupo político do vice-governador  |  Palácio dos Leões, no Maranhão / Crédito: Claudinez Lacerda/Wikimedia Commons

Publicado em 26/03/2026, às 07h35   Palácio dos Leões, no Maranhão / Crédito: Claudinez Lacerda/Wikimedia Commons   Rebeca Santos

Ao pedir o afastamento cautelar do vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT), no âmbito da investigação que apura movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada e o uso de terceiros para a circulação de recursos, o Ministério Público do estado revelou que policiais militares lotados no Gabinete Militar do Governo também estariam envolvidos no suposto esquema criminoso.

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram que o tenente-coronel Thiago Brasil Arruda movimentou mais de R$ 9,6 milhões em suas contas bancárias entre maio de 2023 e novembro de 2024. Esse valor é considerado incompatível com o salário dele.

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Reprodução

No período, ele teve cerca de R$ 4,8 milhões em créditos (entradas) e R$ 4,7 milhões em débitos (saídas). Segundo o Ministério Público, esses valores não batem com a renda mensal declarada pelo oficial, que é de quase R$ 21 mil. Essa quantia representa apenas 7,1% do total que entrou nas contas dele durante esse tempo.

Para o Ministério Público, “a gravidade do fato não está apenas no expressivo montante movimentado, mas, sobretudo, na constatação de que os valores recebidos não permaneciam concentrados na esfera patrimonial do policial, sendo rapidamente pulverizados e direcionados a terceiros.”

As fraudes

Parte do dinheiro movimentado pelo tenente-coronel foi transferida  para pessoas ligadas à família e ao grupo político do vice-governador Felipe Camarão.

O relatório também aponta que o oficial usou a técnica conhecida como “smurfing”. Essa prática consiste em fracionar depósitos em dinheiro vivo para dificultar o rastreamento pelos órgãos de controle.

Mais de R$ 1 milhão teria sido depositado em espécie de forma fragmentada, com o objetivo de evitar os alertas automáticos das autoridades que fiscalizam movimentações suspeitas.

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