Política
Publicado em 24/09/2026, às 22h56 - Atualizado às 23h01 Agência Brasil Henrique Brinco
A corrida presidencial de 2026 ganhou um novo componente religioso com a entrada de setores católicos no debate sobre a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL). O tema ganhou força após a circulação de relatos de que, caso eleito, o presidenciável poderia atender a uma antiga reivindicação de segmentos evangélicos para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
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Vídeos de bispos e arcebispos passaram a circular nas redes sociais nas últimas semanas, enquanto cartilhas distribuídas em igrejas orientariam os fiéis a considerar, entre outros critérios, candidatos comprometidos com a soberania nacional e com a população mais pobre. Circula, ainda, uma homilia do arcebispo emérito de Aparecida, Dom Orlando Brandes, realizada na Basílica Nacional dedicada à padroeira do Brasil.
Durante a celebração, Brandes afirmou que os eleitores deveriam escolher seus candidatos de acordo com a própria consciência e levando em consideração o bem comum. A manifestação passou a ser interpretada dentro do movimento de mobilização de setores católicos diante da possibilidade de um presidente identificado com o campo evangélico chegar ao Palácio do Planalto.
O assunto voltou à tona nesta quinta-feira (24), após um comentário de Maria Cristina Fernandes na GloboNews. Segundo ela, a polêmica pode beneficiar a candidatura do PT. "Tem um movimento na Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos que está mobilizando um projeto de lei para tirar a Nossa Senhora de Aparecida da condição de Padroeira e que pode sim surtir efeito entre os católicos a favor do Lula", analisou.
Muita gente estranhando o movimento de muitas lideranças do catolicismo nos últimos dias. Pois bem… ao que parece, a Igreja Católica se uniu para defender Nossa Senhora Aparecida desse projeto absurdo do Flávio Bolsonaro. pic.twitter.com/W8Unv5CLIO
— Muka 🎙️ (@falamuka) September 25, 2026
A ideia de retirar o título também não é nova. Em 2008, o então deputado federal Victório Galli apresentou o Projeto de Lei 2623/07, que pretendia modificar a condição de Nossa Senhora Aparecida, restringindo o título de padroeira aos brasileiros católicos.
A proposta acabou arquivada em agosto daquele ano. A proposta substituía a expressão "padroeira do Brasil" por "padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos".
Nossa Senhora Aparecida foi declarada padroeira do Brasil pelo papa Pio XI em 1930. O dia dedicado à santa, 12 de outubro, tornou-se feriado nacional em 1980, após a visita do papa João Paulo II ao Santuário Nacional de Aparecida.