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Política

Por temor de impeachment, ministros do STF articulam reeleição de Alcolumbre

Entendimento tácito é de que os dois lados têm interesses que podem ser preservados  |  Rosinei Coutinho/STF

Publicado em 07/11/2026, às 11h19   Rosinei Coutinho/STF   Redação Bnews

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm atuado nos bastidores para favorecer a reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) na eleição do Senado marcada para fevereiro de 2027. Segundo fontes ouvidas pelo portal Uol, o motivo central é o receio de que um presidente alinhado à nova composição do Senado leve adiante uma das principais bandeiras de campanha de parte dos parlamentares eleitos em outubro: o impeachment de ministros do Supremo.

De acordo com a reportagem, um dos principais elos dessa articulação é a relação próxima entre Alcolumbre e Alexandre de Moraes. O ministro já atuou como interlocutor para tentar conter crises envolvendo o senador. Foi o caso do rompimento entre Lula (PT) e o presidente do Senado, que se arrastou por meses após a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF, em abril. Moraes trabalhou para aproximar os dois e reduzir o desgaste entre o Planalto e o Congresso.

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Fontes do Supremo afirmam que a abordagem de ministros a políticos não é exatamente uma novidade em Brasília. O que chama a atenção, desta vez, é a frequência e a intensidade dos movimentos. O temor de uma ofensiva do novo Senado contra a Corte teria elevado a articulação a outro patamar.

As conversas não são descritas como ameaças explícitas. A lógica, segundo os relatos, seria mais sutil: uma espécie de entendimento tácito de que os dois lados têm interesses que podem ser preservados. De um lado, políticos que não querem ver suas pendências judiciais avançarem no Supremo; de outro, ministros que não querem enfrentar processos de impeachment no Senado.

Fator Vorcaro

As revelações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master atingiram ministros de diferentes perfis e ajudam a explicar a convergência de interesses dentro do Supremo. Moraes está no centro de uma das frentes mais delicadas. Uma análise do celular apreendido de Vorcaro identificou 316 registros de interação entre o banqueiro e o ministro nos dois meses anteriores à prisão, em novembro de 2025. Vorcaro também contratou por quase R$ 130 milhões o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, para prestar serviços jurídicos ao banco. O ministro nega irregularidades.

Dias Toffoli também passou a enfrentar questionamentos depois que vieram à tona vínculos empresariais entre fundos ligados ao universo do Banco Master e empresas de familiares do ministro.

Outro foco de preocupação envolve Kassio Nunes Marques. Mensagens encontradas pela PF (Polícia Federal) no celular de Vorcaro mencionam um contrato de honorários de R$ 427 milhões associado à chamada "Turma do KN", expressão usada para se referir a pessoas apontadas como próximas ao ministro.

Nomes da oposição

Dois oposicionistas estão em campanha contra Alcolumbre: Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, e Tereza Cristina (PP-MS). Ambos mantêm suas pré-candidaturas, mas a expectativa é que os grupos convirjam para um único nome à medida que a eleição se aproxime. Marinho conta com o apoio do PL, que terá uma bancada de 29 senadores, enquanto Tereza busca reunir setores do centro e do agronegócio.

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