Política

"Por trás do discurso de fé pode existir projeto de poder", diz colunista

Entre cultos, missas, versículos e redes gospel, cresce a suspeita de que a fé esteja sendo usada como estratégia de construção eleitoral  |  Imagem criada por IA

Publicado em 07/07/2026, às 23h56   Imagem criada por IA   Redação Bnews

O jornalista Carlos Victor Costa defendeu que a crescente aproximação entre políticos e ambientes religiosos merece um debate mais atento, sem que qualquer questionamento seja automaticamente interpretado como um ataque à religião. Em artigo publicado no BNews Alagoas, o colunista sustenta que, em muitos casos, a fé pode estar sendo utilizada como ferramenta de construção de imagem e fortalecimento de projetos políticos.

Segundo o articulista, o problema não está na religião em si, mas na sua instrumentalização. "O problema não é a fé. O problema é quando a fé vira instrumento de poder", escreveu. Na avaliação de Carlos Victor, igrejas, comunidades religiosas, rádios gospel e perfis voltados ao público cristão passaram a representar não apenas espaços de crença, mas também de influência, mobilização e alcance eleitoral.

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O colunista afirma que se tornou comum a adoção de uma estratégia de comunicação que associa constantemente a atuação política ao discurso religioso. "Tem político que não frequenta igreja. Frequenta eleitorado", resume. Para ele, publicações com versículos bíblicos, discursos sobre missão divina e participações frequentes em cultos, missas, procissões e eventos religiosos podem fazer parte de uma construção de autoridade moral perante o eleitorado.

Carlos Victor também chama atenção para o risco de que críticas a agentes públicos sejam confundidas com ataques à fé. "A estratégia é poderosa porque não vende apenas uma candidatura. Tenta revestir o político de autoridade moral", afirma. Segundo ele, esse processo pode criar uma espécie de blindagem política, dificultando o debate público e a fiscalização de gestores e candidatos.

Na coluna, o jornalista ainda destaca que igrejas e grupos religiosos possuem grande capacidade de mobilização social e levanta questionamentos sobre a relação entre esse capital de influência e o poder institucional exercido por parlamentares e governantes. Embora ressalte que não é possível generalizar ou afirmar que toda instituição religiosa participe desse tipo de relação, ele considera legítimo discutir a transparência desses vínculos.

Ao encerrar o artigo, Carlos Victor Costa defende que a democracia exige fiscalização dos agentes públicos e que a liberdade religiosa deve ser preservada, sem que isso impeça o debate sobre o uso político da fé. "Deus é uma coisa séria demais para virar marqueteiro de campanha. Porque, no fim das contas, talvez muito político não esteja procurando salvação. Esteja procurando eleição", conclui o colunista.

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