☰
✕

Política

Quem é Peixe, miliciano condenado no caso Marielle que intermediou emenda de Flávio Bolsonaro

A emenda de Flávio Bolsonaro para o Ifop levanta questões sobre a execução e entrega de materiais prometidos para crianças  |  Reprodução/Youtube

Publicado em 25/09/2026, às 23h35   Reprodução/Youtube   Analu Teixeira

Robson Calixto da Fonseca, conhecido como Peixe, foi o responsável por procurar uma assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL) para pedir recursos destinados a uma ONG do Rio de Janeiro. Em novembro de 2023, o Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop) recebeu R$199.999,79 por meio de uma emenda parlamentar indicada pelo senador. A negociação agora é investigada pela Polícia Federal.

Acompanhe as principais notícias também no nosso canal do YouTube; clique aqui

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

As tratativas aparecem em mensagens encontradas no celular de Calixto durante as investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Segundo o Folha de São Paulo, Peixe procurou Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora do gabinete de Flávio, para tentar viabilizar o repasse.

Em uma das conversas, Calixto pediu ajuda e foi orientado pela assessora a reforçar o pedido pessoalmente com o senador. Dias depois, ele voltou a cobrar o andamento da solicitação. A emenda foi posteriormente destinada ao Ifop para financiar um projeto esportivo voltado a crianças.

A aplicação do dinheiro, porém, passou a ser alvo de questionamentos, a Polícia Federal apura se a verba fez parte de um esquema de desvio de recursos públicos envolvendo pessoas ligadas à família Brazão. O Tribunal de Contas da União também identificou suspeitas de irregularidades na utilização do dinheiro.

Flávio Bolsonaro afirmou que a emenda foi destinada dentro da legislação vigente e dos critérios técnicos do Ministério do Esporte. Segundo a manifestação do senador, a responsabilidade pela execução dos recursos é da entidade beneficiária e eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos de controle.

Quem é Peixe

Calixto ocupou cargos de assessor de Domingos Brazão na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e, posteriormente, no Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ). De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), ele funcionava como intermediário de interesses do grupo ligado aos irmãos Brazão.

No processo que investigou o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, Robson Calixto foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a nove anos de prisão por integrar uma organização criminosa armada. Ele não foi condenado pelos homicídios, mas pela participação na organização criminosa relacionada ao caso.

A relação com os irmãos Brazão também apareceu na delação premiada de Ronnie Lessa, que confessou ter participado da execução de Marielle e Anderson. Lessa descreveu Peixe como homem de confiança de Domingos Brazão e afirmou que ele atuava como interlocutor do grupo.

O nome de Calixto também apareceu em relatórios da Polícia Federal relacionados à atuação de milicianos na Taquara, na Zona Oeste do Rio. Segundo os documentos citados nas investigações, ele teria sido apontado como responsável por arrecadar valores provenientes de extorsões praticadas por integrantes do grupo.

Emenda sob investigação

Além dos R$199,9 mil indicados por Flávio Bolsonaro, o Ifop recebeu outros recursos de parlamentares. A entidade recebeu R$ 300 mil de Chris Tonietto (PL-RJ) e R$ 1,5 milhão de Chiquinho Brazão, totalizando R$ 2 milhões em recursos públicos.

No caso da emenda de Flávio, o dinheiro deveria financiar o projeto “Jogadores do Futuro”, que previa a compra de chuteiras para crianças. Pais de alunos, contudo, relataram que os materiais previstos não foram entregues.

O Ifop afirmou não ter relação com Peixe ou com a família Brazão e disse desconhecer a atuação dele na obtenção da emenda. A entidade declarou ainda que contratou uma empresa especializada para auxiliar na elaboração de projetos e na apresentação de propostas a parlamentares.

A investigação da PF também mira suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionadas à aplicação das emendas. O caso continua em apuração, e as suspeitas investigadas ainda não representam uma conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade criminal dos envolvidos.

Classificação Indicativa: Livre


Tagsemendaflávio bolsonarolavagem de dinheiromarielle francopolícia federal