Política
Publicado em 10/06/2026, às 23h58 Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil/Arquivo Analu Teixeira
Auditorias daControladoria-Geral da União (CGU) apontaram indícios de irregularidades em contratos firmados entre o Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria (Sesi) e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização ligada à empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora brasileira do filme "Dark Horse".
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Os relatórios indicam que cerca de R$ 11 milhões foram repassados à entidade entre 2017 e 2018 para a realização de projetos sociais em diversos estados do país.
Segundo os levantamentos da CGU, pelo menos R$ 2,4 milhões apresentam indícios de superfaturamento ou outras irregularidades relacionadas à execução dos contratos. As auditorias analisaram a realização da Feira da Cidadania em sete estados brasileiros e do projeto Fórmula Truck Kids, no Distrito Federal.
Os documentos apontam situações como ausência de comprovação de despesas, divergências entre serviços contratados e executados, notas fiscais sob questionamento e indícios de sobrepreço em diferentes estados. No Pará, por exemplo, o sobrepreço identificado superou R$ 1,3 milhão. Já no Rio Grande do Norte, os auditores apontaram prejuízo estimado em cerca de R$ 880 mil.
De acordo com os relatórios, o Instituto Conhecer Brasil não possuía funcionários registrados, estrutura operacional compatível com contratos milionários ou capital social que justificasse a execução direta dos projetos. A auditoria concluiu que a entidade repassava integralmente a execução dos serviços para empresas terceirizadas sediadas no Distrito Federal, que também apresentavam indícios de incapacidade operacional.
A presidente do ICB, Karina Ferreira da Gama, também é proprietária da Go Up Entertainment, produtora responsável pela realização de “Dark Horse”, filme que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ligação entre a empresária e a produção cinematográfica foi destacada pela reportagem que revelou os resultados das auditorias.
As auditorias também registram que algumas empresas subcontratadas compartilhavam vínculos societários, endereços semelhantes e não possuíam empregados registrados, levantando dúvidas sobre a efetiva prestação dos serviços contratados.
Em nota citada pelas reportagens sobre o caso, o Conselho Nacional do Sesi informou que ajuizou ações judiciais para tentar recuperar aproximadamente R$ 9,5 milhões relacionados aos contratos firmados com o instituto. A CGU segue acompanhando o caso e poderá adotar novas medidas caso os valores não sejam ressarcidos.
Até o momento, os relatórios apontam indícios de irregularidades administrativas e financeiras identificados nas auditorias. Eventuais responsabilidades civis, administrativas ou criminais dependem da conclusão dos procedimentos de investigação e de decisões das autoridades competentes.