Política
Publicado em 23/09/2026, às 12h24 Marcelo Camargo/Agência Brasil // Vaner Casaes/ALBA Matheus Simoni
O advogado-geral da União, Jorge Messias, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, protagonizaram um episódio tenso durante reunião junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, em meio à crise envolvendo relatórios de inteligência produzidos pela corporação e a atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com reportagem divulgada nesta quarta-feira (23) pelo portal UOL, o registro ocorreu na manhã do último dia 4 de setembro, quando o chefe da PF entrou no gabinete presidencial.
Clique aqui e se inscreva no canal do BNews no Youtube
Messias questionou Andrei sobre um suposto monitoramento contra ele, apontando uma vigilância ilícita, o que foi contestado pelo diretor-geral. Segundo a reportagem, os dois chegaram a trocar xingamentos diante de Lula.
Como resposta, pontuou o UOL, Andrei sustentou que não houve monitoramento ilícito contra Messias nem contra Mendonça. Em manifestação posterior ao STF, sua defesa afirmou que os relatórios questionados não decorreram de vigilância, coleta clandestina de dados ou medidas invasivas. Messias teria demonstrado irritação durante a conversa e confrontou Andrei sobre a suspeita de que estivesse sendo acompanhado pela inteligência da Polícia Federal em função de uma espécie de "arapongagem" no contexto das investigações do caso Master.
Andrei negou qualquer tipo de ocorrência e classificou a postura de Messias como "chilique". Interlocutores apontaram que Lula acompanhou de perto a conversa considerada "tensa", "dura" e "ríspida".
O embate entre os dois não é um episódio recente e ganhou força após revelações de que a inteligência da PF teria elaborado relatórios que envolviam o ministro do STF André Mendonça e o próprio Messias. Embora Andrei Rodrigues afirme que os documentos eram análises regulares de inteligência institucional, o ministro André Mendonça considerou a ação um "monitoramento sistemático ilegal", determinando afastamento preventivo do chefe da PF em 8 de setembro.
Andrei Rodrigues recorreu e foi reintegrado ao cargo por uma decisão do ministro do STF Flávio Dino, em um movimento feito sem o conhecimento prévio do advogado-geral da União.
Apesar dos atritos de bastidores, a AGU, sob ordem de Messias, assumiu formalmente a defesa institucional de Andrei Rodrigues perante o STF. O órgão federal acionou o Supremo e mobilizou equipes para formular as explicações oficiais sobre a legalidade dos relatórios de inteligência da corporação, argumentando que o afastamento ordenado por Mendonça invadiu competências exclusivas do Poder Executivo.
Alexandre Pires reage após buscas da PF em imóveis ligados ao cantor em operação contra esquema de R$ 31 milhões
Nunes Marques determina que Lula remova vídeo sobre crise no STF