Política
Publicado em 01/10/2026, às 12h34 Charles Vieira/Campanha Flávio Redação Bnews
O Supremo Tribunal Federal (STF) terá que se pronunciar sobre o andamento das investigações contra Flávio Bolsonaro (PL), relacionadas ao filme "Dark Horse" e ao Banco Master, caso ele seja eleito presidente da República.
Segundo a Constituição, o presidente "não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções", mas conforme apontam professores de direito penal e constitucional consultados pela Folha de SP, a norma constitucional não deve ser lida como impeditivo para a continuidade de investigações em si.
Eles afirmam que, no passado, ministros do Supremo já se manifestaram nesse sentido. Isso não significa, porém, que esse será o entendimento que a corte adotaria num eventual cenário em que Flávio fosse eleito.
Por outro lado, casos em que já houvesse denúncia apresentada contra um presidente, ou em que ele já fosse réu, o caminho previsto seria a suspensão logo no início do mandato, até ele deixar o cargo.
A advogada e professora de direito penal da USP (Universidade de São Paulo) Helena Regina Lobo da Costa afirma que há poucos casos sobre o tema no STF, mas que os ocorridos até aqui apontam para a possibilidade de investigação.
Ela cita uma decisão de 1992 relacionada ao então presidente Fernando Collor de Mello. Na ocasião, explica ela, o tribunal entendeu que não tinha competência para o caso e, ao remetê-lo à Justiça Eleitoral, vedou expressamente apenas medidas relacionadas a eventual indiciamento do presidente e ao oferecimento da denúncia.
O professor de direito do Insper Diego Werneck avalia que o Supremo tem feito uma distinção entre responsabilizar e investigar. Ele afirma, porém, que esse entendimento tem sido construído especialmente por decisões individuais dos ministros e, por isso, vê como importante que o tribunal enfrente esse tema coletivamente.
Para Werneck, essa é uma regra que deve ser interpretada com muito cuidado. "A gente não deveria estender demais a imunidade prevista na Constituição." Ele pondera, entretanto, que, na hipótese de a corte atual se debruçar sobre o tema, a análise ocorrerá possivelmente de modo altamente politizado.
O professor e coordenador do curso de direito da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) Marcelo Crespo entende que, caso Flávio seja eleito e a defesa dele peça a suspensão das investigações com base na Constituição, existiria uma discussão sobre o alcance dessa imunidade temporária.
Para ele, seria importante o STF delimitar com mais clareza qual o limite do que é investigação e do que é responsabilização.
Crespo diz ainda que, num cenário de prosseguimento da investigação, haveria pontos difíceis a serem avaliados como quais os limites para um eventual pedido de busca e apreensão.
Miguel Godoy, professor de direito constitucional da UFPR (Universidade Federal do Paraná) e da UnB (Universidade de Brasília), diz que há precedente sinalizando para a possibilidade de prosseguimento das investigações, mas afirma que a depender do tipo de procedimento pode se abrir o debate sobre até onde ele pode avançar.
Ele destaca também a centralidade da PGR neste debate. "A investigação contra Flávio Bolsonaro, se eventualmente ele for eleito, pode continuar, mas dependente da atuação proativa da PGR. Ela tem que querer investigar", diz.
Desde julho, Flávio é formalmente investigado no inquérito relacionado ao filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro com autorização do ministro do STF André Mendonça. A Polícia Federal havia pedido para apurar a possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção, no contexto do financiamento para a produção da obra junto ao Banco Master. Flávio tem negado qualquer irregularidade em relação ao caso.
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