Política

Senado quer ouvir ministro de Lula sobre risco de ação militar dos EUA no Brasil

Ministro das Relações Exteriores será ouvido sobre impactos da decisão dos EUA de classificar PCC e CV como terroristas.  |  Marcos Oliveira/Agência Senado

Publicado em 07/07/2026, às 16h24   Marcos Oliveira/Agência Senado   Daniel Serrano

A Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado aprovou, nesta terça-feira (7), um convite para que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, compareça ao colegiado e esclareça as declarações do Itamaraty sobre os possíveis impactos da decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

O requerimento é de autoria do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Ainda não há data definida para a audiência. No documento, o ex-vice-presidente afirma que é necessário esclarecer os fundamentos da posição do Ministério das Relações Exteriores.

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"É imperioso compreender os fundamentos geopolíticos e de Inteligência que basearam o alerta do Itamaraty, as providências diplomáticas coordenadas pelo governo brasileiro e as estratégias em curso para salvaguardar a autonomia jurisdicional e a soberania do Estado brasileiro frente a medidas unilaterais externas", diz trecho do requerimento.

O caso

A polêmica começou depois que na última quarta-feira (1º) quando o Ministério das Relações Exteriores respondeu a um questionamento da Câmara dos Deputados sobre a decisão dos EUA de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. 

Em ofício assinado, o Itamaraty afirmou que a mudança de classificação não traria benefícios concretos para a cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado. 

Segundo o documento, o atual enquadramento das facções como organizações criminosas transnacionais já permite o compartilhamento de informações, investigações conjuntas e outras ações de cooperação entre os dois países.

"Tal aplicação pode ocorrer com amplo grau de discricionariedade, dada a amplitude dos termos adotados na legislação de contraterrorismo daquele país, com sérias possibilidades de implicações para cidadãos brasileiros nos planos financeiro, migratório e penal. Finalmente, há a possibilidade de uso de força militar dos Estados Unidos em território brasileiro", diz o Itamaraty.

Classificação Indicativa: Livre


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