Política

STF investiga se acusação de estupro contra vice de Flávio foi ‘armação’ de deputado petista

Depoimento enviado pela Câmara relata suposto plano para criar falsa denúncia de estupro contra deputado; petista nega as acusações  |  Alfredo Gaspar e Lindbergh Farias - Jefferson Rudy/Agência Senado e Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Publicado em 10/08/2026, às 10h12   Alfredo Gaspar e Lindbergh Farias - Jefferson Rudy/Agência Senado e Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil   Eduardo Costa

A Câmara dos Deputados enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o depoimento de um comerciante carioca que afirma que a acusação por crime de estupro de vulnerável envolvendo o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), anunciado como vice de Flávio Bolsonaro (PL), sido uma suposta “armação” por parte do federal Lindbergh Farias (PT-RJ). As informações são do colunista Igor Gadelha, do Metrópoles.

De acordo com a reportagem, o depoimento foi feito pela Polícia Legislativa da Casa de forma virtual em 23 de abril, após a corporação ser acionada pelo próprio Gaspar. Na época, o vice de Flávio afirmou que o depoente teria ligado para seu gabinete funcional a fim de denunciar a possível trama.

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O material chegou ao STF no dia 5 de maio, quando o comerciante citou que uma “armação” teria sido feita, supostamente, por pessoas ligadas ao parlamentar petista, que possui foro privilegiado. 

A Polícia Legislativa identificou o homem como "Luis Antonio Lopes", de 62 anos. De acordo com o depoimento, ele seria dono de um quiosque no shopping Jardim Guadalupe, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

Libdbergh, ao lado da senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), apresentou, em 27 de março de 2026, uma notícia de fato na qual apontava que Gaspar teria estuprado uma adolescente e seria pai de uma filha fruto da suposta violência sexual.

Segundo o comerciante, a equipe de Lindbergh recrutou uma jovem chamada “Marcela Maria Mendes”, que prestava serviços em seu quiosque. O plano, conforme depoiomento, seria fazer a mulher conceder entrevistas fingindo se chamar “Jailma” e se apresentando como vítima do estupro de Gaspar. A narrativa ainda teria criado uma filha fictícia chamada “Eloá”, supostamente fruto do estupro.

O depoente diz ainda que Marcela teria sido recrutada por um homem chamado “Lucas”, conhecido como “Doidinho”. O comerciante relatou às autoridades que Lucas se apresentava como “assessor legislativo” e, posteriormente, como “ligado ao contexto político” de Lindbergh.

“Em determinada ocasião, Marcela se reuniu com uma mulher jornalista e com um indivíduo de nome Lucas, o qual se apresentava como assessor do Legislativo, conhecido do prefeito de Nova Iguaçu e, posteriormente, como ligado ao contexto político de Lindbergh Farias; […] tomou conhecimento, por intermédio de um colaborador do seu estabelecimento, senhor Rodrigo Freitas, morador da comunidade do Acari e vizinho de Marcela, de que ela havia sido preparada para conceder entrevista sob identidade falsa, utilizando o nome fictício de ‘Jailma’, afirmando falsamente ser oriunda de Maceió/AL e sustentando narrativa segundo a qual teria sido abusada sexualmente, ainda adolescente, por um político, fato do qual teria resultado uma criança“, diz o boletim de ocorrência.

Ainda de acordo com o depoimento, o plano seria divulgar a acusação de abuso sexual e, em um segundo momento, fazer “Jailma” desaparecer. 

No depoimento, o comerciante afirmou que Lindbergh teria participado de uma reunião virtual com Marcela e outras pessoas. Segundo ele, Lindbergh “parecia ter plena ciência do contexto fraudulento tratado nas reuniões”.

Ele também afirma que emprestou sua conta bancária para que Marcela recebesse os pagamentos pela armação. Ele citou três supostos depósitos: de R$ 4 mil, de R$ 10 mil e outro de R$ 2,5 mil. Ele enviou à Polícia Legislativa comprovante dos dois últimos depósitos.

Deputado nega

Lindbergh Farias foi procurado pelo Metrópoles e negou as acusações, afirmando ser uma "picaretagem".

“Isso é uma picaretagem. Desconheço os citados e a suposta investigação da Polícia Legislativa. Não conheço os envolvidos e não participei de reuniões para tratar desse assunto. A primeira coisa que a Polícia Federal tem que fazer é investigar esse tal “tio Luiz”, prender esse cara. Esse depoimento é inventado e é mais uma suspeita em cima do Alfredo Gaspar. Por que esse cara deu esse depoimento à Polícia Legislativa? A pedido de quem?”, afirmou o petista.

Classificação Indicativa: Livre


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