Política
Publicado em 12/06/2025, às 11h21 - Atualizado às 11h52 Divulgação / PF Adelia Felix e Matheus Simoni
Empresários, servidores, diretores, empresas e "laranjas" tiveram mais de R$ 100 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas bloqueados pela Justiça Federal, nesta quinta-feira (12), no âmbito da Operação Dia Zero.
Eles são investigados por suposta participação em um esquema de corrupção, fraude em licitação, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo o contrato nº 193/2013 da Secretaria Municipal de Saúde de Salvador com o Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde (INTS).
A decisão, obtida pelo BNEWS, foi proferida pelo juiz federal Fábio Moreira Ramiro, da 2ª Vara Federal Criminal de Salvador, com base em pedido da Polícia Federal (PF) e parecer favorável do Ministério Público Federal (MPF). Segundo a Controladoria-Geral da União (CGU), o prejuízo ao erário com o contrato investigado pode chegar a R$ 46,2 milhões, entre 2013 e 2020.
Veja quem teve valores bloqueados e os respectivos montantes, segundo apurado pela reportagem.
- Até R$ 5.044.992,50
- Até R$ 9.681.241,33
- Até R$ 3.095.593,48
- Até R$ 29.268.911,50
- Até R$ 7.580.255,13
- Até R$ 758.178,37
- Até R$ 46.291.610,63
Além dos bloqueios, o juiz também determinou o sequestro de um imóvel localizado no Caminho das Árvores, em Salvador, e o afastamento cautelar do servidor Ariovaldo de seu cargo na Secretaria Municipal da Saúde de Salvador.
A investigação aponta que o grupo atuava de forma estruturada há cerca de 10 anos, com divisão de tarefas entre servidores públicos, dirigentes da INTS, empresários e “laranjas”. Há indícios de uso de empresas de fachada, movimentações bancárias incompatíveis com rendimentos declarados, pagamentos indevidos, subcontratações ilícitas e uso de métodos sofisticados para lavar o dinheiro desviado.
O que diz a prefeitura?
A Prefeitura de Salvador se manifestou por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), que afirmou que o contrato investigado foi encerrado em 2019 e que o servidor alvo da operação é concursado e que foi afastado. A pasta informou que está colaborando com as autoridades e reafirmou seu compromisso com a ética e a legalidade na gestão pública.
O que diz o INTS?
Em nota oficial divulgada nesta quinta-feira (12), o Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde (INTS) reafirmou seu compromisso com a transparência e a legalidade em relação à Operação Dia Zero, conduzida pela Polícia Federal. O instituto destacou que o contrato investigado, firmado com a Secretaria Municipal da Saúde de Salvador, foi encerrado há quase seis anos e que está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários. Com 15 anos de atuação no setor público e reconhecimentos como a certificação ISO 9001 e o selo ONA, o INTS ressaltou sua trajetória pautada pela ética, responsabilidade técnica e foco na excelência da gestão em saúde.
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