Política
Publicado em 25/08/2026, às 22h13 - Atualizado às 22h22 Reprodução / Youtube Davi Lemos
A presidente do Instituto de Enfermagem da Bahia e ex-presidente do Conselho Regional de Enfermagem da Bahia (Coren-BA), Giszele Paixão, alertou para o crescimento dos casos de violência contra profissionais da categoria no estado. Em entrevista à Rádio Itapoan FM nesta terça-feira (25), ela afirmou que as ocorrências aumentaram 43% na Bahia e que, somente em 2026, foram registrados 233 casos.
“É uma realidade vivenciada pelos profissionais de enfermagem. São profissionais que deixam o seu amor em casa para cuidar do amor de alguém”, afirmou Gisele. Para ela, campanhas de conscientização não são suficientes para enfrentar o problema. “Mais do que publicar e fazer card ou dar visibilidade em outdoor, é preciso ações efetivas que possam realmente repercutir na vida desse trabalhador que está ali vivenciando”, declarou.
A ex-presidente do Coren-BA defendeu maior acolhimento aos trabalhadores vítimas de violência e uma atuação mais próxima do conselho profissional. “É preciso acolher esses profissionais, entender o cenário em que eles estão inseridos e assim, de verdade, poder defendê-los. Então, mais do que discurso, é necessário ação”, disse. Segundo Gisele, a falta de uma presença mais efetiva junto à categoria representa atualmente “uma grande lacuna” na Bahia.
Durante a entrevista, Giszele Paixão também fez críticas à atual gestão do Coren-BA, especialmente em relação à estrutura de atendimento no interior. Ela lembrou que a Bahia possui 417 municípios, uma extensão territorial de aproximadamente 565 mil quilômetros quadrados e mais de 200 mil profissionais de enfermagem. “Essa atual gestão, essa galera que está aí, não abriu uma subseção sequer”, criticou, acrescentando que entre 8 mil e 10 mil novos profissionais ingressam anualmente na categoria no estado.
De acordo com a ex-presidente, a manutenção de uma subseção custaria aproximadamente R$ 12 mil por mês, ou R$ 144 mil por ano, enquanto o Conselho teria arrecadação anual superior a R$ 40 milhões. “Para o Conselho, isso não é nada”, afirmou. Giszele argumentou que os recursos arrecadados pela entidade devem retornar em serviços à categoria. “Imagine se o Conselho de classe foi criado para dar lucro. O que se arrecada é para ser investido no profissional de enfermagem”, declarou.
Ao comparar a atual administração com o período em que comandou o Coren-BA, entre 2022 e 2023, Giszele afirmou que sua gestão reabriu cinco subseções que haviam sido fechadas anteriormente, além de ampliar a estrutura de atendimento. Entre as cidades citadas por ela estão Paulo Afonso, Irecê, Guanambi, Alagoinhas e Cachoeira. A ex-presidente disse ainda ter deixado cinco núcleos de atendimento em funcionamento.
Por fim, Giszele criticou o que considera uma concentração excessiva da atuação do Conselho em atividades virtuais e de capacitação. “Uma gestão não pode se resumir meramente em um programa de capacitação”, afirmou. “Conselho não pode ser virtual somente, rede social apenas, gravando live e fazendo blogueiragem. A enfermagem precisa de presença de um conselho que nos represente”, concluiu.