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Política

Viradas em estados podem servir de inspiração para Lula vencer Flávio Bolsonaro no segundo turno

Nunca houve reviravolta na corrida ao Palácio do Planalto entre um turno e outro  |  Ricardo Stuckert / PR

Publicado em 06/10/2026, às 17h58   Ricardo Stuckert / PR   Anderson Ramos

O presidente Lula (PT) encara um cenário desfavorável para sua reeleição depois de perder o primeiro turno para Flávio Bolsonaro (PL). Isso porque, desde a redemocratização, nunca houve uma reviravolta na corrida ao Palácio do Planalto entre um turno e outro. Em todas as eleições presidenciais de duas etapas, quem ficou na frente na primeira metade da disputa sempre saiu vencedor. 

Quando se trata das disputas estaduais o quadro é um pouco diferente, como mostra um levantamento feito pelo site DW Brasil. Entre 1990 e 2022, o Brasil foi palco de 120 eleições estaduais de dois turnos com registro de reviravolta em 35 disputas – ou 29% do total.

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Aposta na rejeição

Os casos mais famosos tiveram o mesmo protagonista. Paulo Maluf sofreu a virada duas vezes, uma no ano de 1990 e a outra em 1998. Em 90, o candidato do PDS terminou o primeiro turno em São Paulo com 43,5% dos votos e vantagem de 15,3 pontos sobre o segundo colocado, Luiz Antônio Fleury (PMDB). 

No segundo turno, Fleury explorou a alta rejeição registrada do adversário e recebeu os votos do eleitorado de candidatos antimalufistas derrotados na primeira rodada. Fleury acabou praticamente dobrando sua votação entre um turno e outro, derrotando Maluf por 3,6 pontos de vantagem.

Oito anos depois, o então governador Mário Covas (PSDB) chegou ao segundo turno 9,3 pontos atrás de Paulo Maluf (PPB). Covas também havia chegado por pouco no segundo turno, ficando apenas 0,44 ponto acima da terceira colocada, Marta Suplicy (PT). Para piorar, as pesquisas divulgadas logo após o primeiro turno indicavam que Maluf também aparecia à frente no segundo turno.

Determinado a derrotar Maluf, Covas contrariou seus marqueteiros – que preferiam focar em realizações e planos de governo – e transformou o embate do segundo turno em uma comparação sobre o caráter dos dois candidatos.

"Eleição de governador não é nomeação de gerente. A briga agora vai ser política e moral", disse Covas à época. Nas três semanas do segundo turno, ele explorou as antigas ligações de Maluf com a ditadura, suas declarações controversas e sua bagagem de escândalos. 

Num debate, Covas disse que o "telespectador quer ver discussão de caráter, quer comparar os candidatos do ponto de vista da história de cada um, do que cada um fez ao longo da sua vida política". Covas buscou ainda apoio de políticos do PT e do PSB, que estavam à esquerda do PSDB.

Reconhecimento

Covas acabou superando Maluf no segundo turno por uma vantagem superior a 10 pontos. O marqueteiro de Maluf, o publicitário baiano Duda Mendonça, admitiu que a estratégia de Covas de explorar a rejeição de Maluf foi certeira. "Não foi o Covas que ganhou, mas Maluf que perdeu para Maluf", disse ele após a eleição.

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