Política
Publicado em 19/10/2026, às 18h30 - Atualizado às 18h45 Reprodução Antonio Dilson Neto
O ex-banqueiro Daniel Vorcaroafirmou, em uma tentativa de acordo de colaboração premiada, que Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, teria recebido comissões do Banco Master para estimular investimentos de fundos previdenciários públicos na instituição financeira.
As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (19) pelo colunista Thiago Herdy, do Metrópoles. Kassab negou as acusações.
Segundo o relato apresentado por Vorcaro à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR), Kassab teria se comprometido a incentivar administrações municipais do PSD ou de grupos aliados a aplicar recursos de fundos de previdência em letras financeiras do Master. Em contrapartida, o banco pagaria comissões pelas captações realizadas.
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O ex-banqueiro afirmou que os pagamentos eram feitos em dinheiro vivo a consultores e agentes públicos, incluindo Kassab. De acordo com ele, o principal interlocutor entre o banco e o dirigente partidário era Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.
Em nota, Kassab classificou as declarações como “absolutamente fantasiosas” e negou ter recebido valores ou atuado para direcionar investimentos ao banco. O presidente do PSD também afirmou que nunca tratou de doações com Vorcaro ou representantes do Master e que não autorizou terceiros a falar em seu nome.
Dados do governo federal citados na reportagem apontam que 21 regimes próprios de previdência de estados e municípios investiram, juntos, R$ 1,88 bilhão em letras financeiras do Banco Master entre 2023 e 2024.
O maior volume foi aplicado pelo RioPrevidência, responsável pelos recursos previdenciários dos servidores do estado do Rio de Janeiro, com R$ 970 milhões. O fundo do Amapá aparece na sequência, com R$ 400 milhões. Também foram registrados investimentos de R$ 97 milhões por Maceió, R$ 93,1 milhões por São Roque, em São Paulo, e R$ 87 milhões por Cajamar, também no território paulista.
Os regimes próprios de previdência administram recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de servidores públicos. As aplicações precisam seguir regras específicas do Conselho Monetário Nacional e estão sujeitas à fiscalização do Ministério da Previdência.
As letras financeiras, porém, não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Em caso de liquidação da instituição emissora, os investidores passam a integrar a lista de credores e podem sofrer perdas dos valores aplicados.
Em atualização